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Felizes os que creem sem ter visto!

Dom João Carlos Seneme, css Bispo de Toledo | 06/04/2018 - 21:00

Felizes os que creem sem ter visto!

Estamos celebrando o tempo alegre da Páscoa. Serão 50 dias, do Domingo da Ressurreição ao Domingo de Pentecostes, que deverão ser celebrados com alegria e exultação como se tratasse de um só e único dia, como um “grande domingo”.
Neste segundo domingo do Tempo Pascal as leituras acentuam o evento da Ressurreição, de modo especial, como esta notícia produz efeitos transformadores na primeira comunidade dos discípulos em Jerusalém. O medo dá lugar à coragem, a tristeza à alegria. Desta experiência pascal nasce a comunidade onde todos tinham os mesmos sentimentos. É ali que recebem o envio, a paz e a força do Espírito para o perdão dos pecados; “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo! A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”.
O evangelho nos ajuda a reviver os acontecimentos na vida dos discípulos depois da morte de Jesus. Eles, apesar de tudo, continuam se reunindo depois da morte de Jesus. As portas estão trancadas, por medo dos judeus. A fé ainda não havia iluminado a mente dos discípulos e nem aberto seus corações, por isso têm medo.
Jesus aparece no meio deles, mesmo com as portas fechadas,e os saúda com a paz. O dom do Ressuscitado é a paz, shalom. A consequência é o envio para anunciar a todos que o Senhor está vivo. Na nova missão os discípulos não estarão sozinhos: “Eis que estarei convosco todos os dias”. Esta experiência continua viva até hoje, por isso nossa Igreja continua em pé, vivendo cada dia mais, procurando revelar o amor de Deus ao mundo de hoje. Aquela mesma assembleia de discípulos reunida oito dias depois da Páscoa continua na assembleia dominical em que celebramos o mistério pascal de Jesus: ouvimos sua palavra, comungamos do seu corpo e do seu sangue e somos enviados em missão. Cada domingo a assembleia dos homens e mulheres que partilham a fé no Ressuscitado se torna uma comunidade nova, recriada no sopro do Espírito Santo. Neste sentido, somos obrigados a confrontar nossas assembleias dominicais com a comunidade dos primeiros discípulos.
A figura de Tomás é um sinal para os que negam a ressurreição ou que precisam de mais provas. A ressurreição não é um simples retorno à vida de antes. Tomé não acredita nas palavras dos outros apóstolos, ele quer acreditar a partir de si mesmo, de suas fragilidades e incertezas. A identidade de Jesus não se dá pelo seu rosto, mas pelos estigmas (chagas) que revelam a que ponto Ele nos amou. O Ressuscitado é o Crucificado. Ao tocar as chagas de Jesus, Tomé pode afirmar com toda certeza: “Meu Senhor e meu Deus”. O caso do Apóstolo Tomé é importante para nós pelo menos por três motivos: primeiro, porque nos conforta nas nossas inseguranças; segundo porque nos demonstra que qualquer dúvida pode levar a um êxito luminoso além de qualquer incerteza; e por fim, porque as palavras dirigidas a ele por Jesus nos recordam o verdadeiro sentido da fé madura e nos encorajam a prosseguir, apesar das dificuldades, pelo nosso caminho de adesão a Ele (Papa Bento XVI).
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