Cultura

A arte nas encruzilhadas da vida

| 12/01/2018 - 20:31

A arte nas encruzilhadas da vida

Erros na grafia dos nomes eram comuns de acontecer nos cartórios brasileiros até algum tempo atrás, numa época em que boa parte da população não era letrada e os registros civis aceitavam a dedução da escrita. Assim, meu falecido avô, filho de imigrantes italianos, destoou da família Bardi ao receber o sobrenome Baldi.
Minha avó, que nos deixou nessa semana, aos 96 anos, fez-me uma revelação quando eu era adolescente. Não foi uma confidência (e nem haveria de sê-la), e sim um comentário que me chamou a atenção bem antes de me formar em Gestão Cultural e de me tornar colunista deste jornal. Ao avistarmos uma figura presente na cultura e no noticiário paulista, vovó me disse: - “Ele é parente do seu avô”. Ela se referia a Pietro Maria Bardi, o idealizador do MASP – Museu de Arte de São Paulo.
Apesar de ter sido o único momento em que alguém na família, por desconhecimento ou distanciamento, tocou no assunto comigo, essa informação me marcou, já que sou apreciador e consumidor de arte (ela está presente na história de muitas pessoas, mas atravessa minha vida, como em uma encruzilhada). Tive o privilégio de conhecer o MASP e hoje vou compartilhar um pouco da história deste, que é um dos mais proeminentes centros culturais do país.
No final da Segunda Guerra Mundial, muitas coleções artísticas e acervos foram postos à venda para levantar fundos para a reconstrução da Europa, e o aumento exponencial da oferta derrubou o preço das obras de arte. Aproveitando-se do momento, o magnata Assis Chateaubriand, fundador e proprietário do maior conglomerado de veículos de comunicação do Brasil, planejou a criação de um Centro Cultural, que pudesse reunir no país um acervo à altura dos museus internacionais. Para ajudá-lo na ousada empreitada, ele convidou o jornalista, crítico e colecionador de artes Pietro Maria Bardi. O crítico italiano estava de passagem pelo Brasil, trazendo uma exposição de Roma para o Rio de Janeiro, quando recebeu o convite de Chateaubriand para criar o “Museu da Arte Antiga e Moderna”. Bardi aceitou a proposta, fazendo uma única objeção: a instituição deveria ser chamada apenas de “Museu de Arte”, pois não deve-se fazer distinções entre as artes.
Assim, o galerista e colecionador de artes iniciou o empreendimento, que foi projetado por sua esposa, a também italiana e renomada arquiteta Lina Bo Bardi. O casal se mudou para o Brasil para construir o MASP e o trabalho foi tão importante para a história mundial das artes, que até a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, veio ao Brasil especialmente para sua inauguração, em outubro de 1946.
Após fundarem a instituição, os Bardi se estabeleceram em São Paulo e permaneceram em sua direção por quase cinco décadas. A primeira aquisição de Pietro para o MASP foi o quadro “Retrato de Mulher”, pintado por Pablo Picasso. Com o tempo, outras obras foram incorporadas ao acervo, que hoje possui 8 mil peças e confere ao Museu, a mais importante coleção de arte do hemisfério sul.
Além de ser um museu, o MASP é um Centro Cultural que oferece uma série de serviços para interação com o seu público, como cursos, visitas mediadas, eventos corporativos, recitais, e outras atividades artísticas e culturais. O local conta com um auditório e mantém um calendário permanente de exposições e espetáculos.
Fernando Baldi Braga
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