Cultura

Memórias do rock: toledanos foram detidos a caminho de festival

Fernando Baldi Braga | 10/01/2018 - 20:15

Memórias do rock: toledanos foram detidos a caminho de festival

Entre os eventos que marcaram o dia de 11 de janeiro no calendário da cultura, encontramos um acontecimento, que embora ocasionado no Brasil, entrou para a história mundial da música. Há exatos 33 nos, usando uma tanga como vestimenta e uma pena de gavião na cabeça Ney Matogrosso transformava-se momentaneamente em índio para abrir o maior festival de música da América Latina (e um dos maiores do mundo). Sugestivamente, Ney cantou “América do Sul” na abertura do primeiro Rock in Rio, festival idealizado pelo empresário Roberto Medina, que logo se tornaria um dos principais eventos do planeta.
Em sua primeira edição, o “Rock in Rio” já demonstrava que não celebraria apenas o estilo musical que dá nome ao evento, e sim uma pluralidade de gêneros, que vai da MPB ao Heavy Metal. Pelo maior palco já construído no mundo, até então, passaram nomes internacionais como Queen, Iron Maiden, Rod Stewart, AC/DC, Ozzy Osbourne e Scorpions. Já entre os destaques nacionais, estavam Rita Lee, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Blitz, Gilberto Gil, Kid Abelha, Lulu Santos, Elba Ramalho, Alceu Valença e Erasmo Carlos.
Com o tempo, o festival ganhou fama e se internacionalizou, passando a ter edições promovidas em Lisboa e Madrid. Em setembro desse ano será a vez da capital argentina receber o “Rock in Rio Buenos Aires”.
Em 1985 o Brasil passava por um período de transição, que colocaria fim a duas décadas de governo militar. A população ansiava por retomar algumas liberdades, das quais não dispunha nesse período de nossa história, e foi pensando nisso que o produtor Roberto Medina decidiu utilizar a música como maneira de fazer as pessoas serem ouvidas. A música é uma forma de expressão e o público, que ultrapassou 1 milhão de pessoas, pôde vivenciar nos 10 dias de evento a experiência de ter voz e ser ouvido.
Entretanto, nem todos puderam usufruir dessa liberdade que marcou a Cidade do Rock, como ficou conhecido o local em Jacarepaguá onde foi erguida a estrutura que abrigou o festival. O ímpeto transgressor comum à juventude culminou com uma ideia um tanto provocativa, que teria impedido um grupo de toledanos de chegar à capital fluminense para participar do evento. Segundo histórias que circulam na cidade, alguns jovens de Toledo, utilizaram o chassi de um Jipe para montar sobre ele uma lataria improvisada, que simulava um tanque do exército. Embarcados nesse “carro alegórico” que imitava um veículo militar, os destemidos roqueiros do Oeste paranaense almejavam chegar à Cidade Maravilhosa. Contudo, o plano audacioso foi frustrado antes mesmo de chegarem à Umuarama: o veículo foi abordado pelos militares e os jovens foram detidos. Com exceção dos que ficaram pelo caminho, quem conseguiu chegar ao “Rock in Rio”, viveu, em janeiro de 1985, um momento histórico da música mundial.
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