Política

Rocha Loures, filmado recebendo R$ 500 mil em propina, depõe à PF

| 10/01/2018 - 07:49

Rocha Loures, filmado recebendo R$ 500 mil em propina, depõe à PF

Flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil em propina de um executivo do grupo JBS, o ex-deputado federal paranaense Rodrigo Rocha Loures (MDB) negou, em depoimento à Polícia Federal, ser amigo do presidente Michel Temer (MDB). O depoimento foi prestado nos últimos dias 24 e 27 de novembro e revelado ontem. Segundo Rocha Loures – apontado pelo ex-procurador-geral da República como um intermediário entre Temer e a JBS – sua relação com o presidente seria meramente “profissional, respeitosa, administrativa e funcional, visto que o presidente era seu chefe”.
O ex-assessor de Temer foi ouvido no âmbito do inquérito que apura suposto pagamento de propina da empresa Rodrimar para o presidente Temer. Sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), o inquérito investiga se a Rodrimar, empresa que opera no Porto de Santos, foi beneficiada pelo decreto assinado pelo presidente em maio do ano passado, que ampliou de 25 para 35 anos as concessões do setor, prorrogáveis por até 70 anos.
Rocha Loures foi filmado em maio de 2017 recebendo a mala de dinheiro da JBS. A Procuradoria-Geral da República acusou Temer de ser o destinatário final da propina. Rocha Loures, que chegou a ser preso em junho do ano passado, foi transferido para prisão domiciliar um mês depois
Sobre a mala de dinheiro, o ex-deputado paranaense não deu declarações. “(Rocha Loures disse) Que encontrou-se pela primeira vez com o presidente Michel Temer quando o declarante ocupou o cargo de chefe de gabinete de (Roberto) Requião, em 2003 e 2004 (no Paraná); (...) que possuía uma relação de trabalho amistosa, não podendo afirmar que fosse uma relação de amizade”, segundo o depoimento tomado pelo delegado da PF Cleyber Malta Lopes. “(Rocha Loures relatou) Que também não possuía por hábito efetuar ligações diretamente ao presidente Michel Temer (...) também, habitualmente, não trocava mensagens via celular com o presidente, à exceção de eventual necessidade do gabinete, quando o assunto requeria urgência.”
Portos - Rocha Loures afirmou à PF que não mantém relações nem recebeu doações do setor portuário para suas campanhas à Câmara (em 2006 e 2014), mas que conhece representantes dessa área, como os executivos da Rodrimar, desde 2013, quando houve a tramitação da Lei dos Portos no governo Dilma Rousseff. Naquele período, ele era assessor de Temer na Vice-Presidência.
Sobre o decreto dos portos, editado por Temer em maio de 2017, Rocha Loures disse que só soube da matéria no início do ano passado, quando era assessor especial da Presidência e tomou conhecimento da minuta do texto, enviado à Casa Civil pelo Ministério dos Transportes. Ele negou que tenha atuado para favorecer interesses da Rodrimar na elaboração do decreto e disse “que não tem conhecimento se o presidente da República possui qualquer relação com o setor portuário, em especial com qualquer empresa do grupo Rodrimar e outras concessionárias baseadas no Porto de Santos
Em interceptação telefônica feita pela PF com autorização do Supremo, Rocha Loures foi grampeado em 8 de maio de 2017 conversando com o subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, sobre o decreto dos portos. No diálogo, ele insistia para que o Planalto incluísse no decreto uma regra que beneficiasse empresas portuárias que conseguiram concessões antes de 1993.
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