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Complexo do colonizado

| 10/01/2018 - 06:00

Uma das tarefas mais custosas é compreender a formação do Brasil, com todas as suas peculiaridades inerentes, de suas multifaces culturais e étnicas.
O processo violento de desculturalização seja do índio, do africano e do próprio europeu, criou um novo gênero humano, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro em seu magnífico estudo, resultante em sua obra “O Povo Brasileiro”.
Na formação de nossa classe dominante pátria observa-se características peculiares de outros processos colonizadores das Américas, em especial quando comparável aos norte-americanos.
Particularmente ressalva-se que a edificação de nossa classe dominante segue com sua umbilical dependência do Estado, arquitetada sob o conceito de que, privilegiadamente, é detentora das mais generosas benesses do Estado, porém não possui qualquer compromisso com o mesmo.
Nesse contexto foi embutido, no ideário de sua deseuropeização, um sentimento denso de incapacidade, de baixa autoestima, de limitação, pois não se enxergaram e não se enxergam como responsáveis pela nova pátria. Querem apenas a manutenção de seu status quo.
Estagnada secularmente no preceito de que é a herdeira eleita das riquezas, catequizada em seu cerne de que as classes subalternas têm o destino inexorável de os servirem, a nossa classe dominante se comporta como parasitas do desenvolvimento e da emancipação brasileira. Permanece presa ao dogma de que são filhos da metrópole, porém bastardos.
Dona indigna do capital manteve e mantém até hoje, seu domínio sob a rege do medo, num perverso método de assimilação e segregação, sem se abdicar de um massacrante artifício manipulador doutrinário de resignação.
Proxeneta desenraizada do sentimento pátrio, complexada conceitualmente da nobreza elitista europeia, violenta e arrogante às classes inferiores, segue a sina de alcoviteira da nação.
Subordinada às causas infames de exploração e pilhagem internacional tem como hábito servir aos interesses impudicos das metrópoles a despeito dos anseios de nossa gente.
Essa classe dominante brasileira é ranzinza, azeda, medíocre, cobiçosa e não deixa o país andar para frente. Sentenciou Darcy Ribeiro.
Autoritária nutre verdadeiro desapego pela democracia, não hesita em golpear o Estado quando observa que seus interesses podem ser prejudicados. Ambígua, porém, é servil às elites de suas ancestralidades.
O complexo do colonizado, que nutre nossa classe dominante, é determinante para o nosso subdesenvolvimento, para a nossa tragédia social, e para o saque de nossas riquezas.
Henrique Matthiesen Bacharel em Direito Jornalista

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