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A dignidade da pessoa humana

| 14/12/2017 - 21:10

O Papa Francisco, no parágrafo 273 da Exortação Apostólica _Amoris Laetítia_ destaca que: “Quando se propõe os valores, é preciso fazê-lo pouco a pouco, avançar de maneira diferente segundo a idade e as possibilidades concretas das pessoas, sem pretender aplicar metodologias rígidas e imutáveis. A psicologia e as ciências da educação, com suas valiosas contribuições, mostram que é necessário um processo gradual para se conseguir mudanças de comportamento e também que a liberdade precisa de ser orientada e estimulada, porque, abandonando-a a si mesma, não se garante a sua maturação. A liberdade efetiva, real, é limitada e condicionada. Não
é uma pura capacidade de escolher o bem, com total espontaneidade (...)”.
Conheço uma instituição que ajuda pessoas que não têm condições de suprir suas próprias necessidades, auxiliando-as com roupas, alimentação e até mesmos promovendo alguns cuidados com a higiene pessoal. Essa instituição também recolhe alguns moradores de rua em situação de maior vulnerabilidade e lhes oferece moradia e uma nova chance na vida, muitas vezes até encaminhando a pessoa para um trabalho, devolvendo sua dignidade de forma total, sendo feito ainda,
todo um acompanhamento de ordem espiritual.
Referida entidade beneficente recebe doações, e necessita principalmente de alimentos e produtos de limpeza. Se algum item sobrar eles encaminham para outro local, onde eventualmente estejam precisando. Nada se perde.
Visitei o local algumas vezes. O almoço é servido diariamente. Até fui convidado uma vez para almoçar com eles. Levei alguns alimentos e produtos de higiene pessoal. O local é alugado, se eles não receberem doações também em dinheiro não há como arcar com as despesas de manutenção.
Em uma certa visita descobri que muitos jovens participam do movimento, ajudam em algumas atividades e inclusive em campanhas contra as drogas. Alguns dos jovens simplesmente “emprestam seus ouvidos” e escutam as histórias daquelas pessoas vulneráveis. Todos eles têm muito a contar, todos eles têm muitas histórias, normalmente trágicas, mas que podem ter um final feliz.
Cada pessoa atendida pela instituição é filha de alguém, pode ter irmãos, alguns têm filhos que infelizmente foram abandonados, ou seja, normalmente possuem algum parente em melhores condições de vida. É comum que o contato com os vícios tire a pessoa do convívio familiar.
Por isso é importante que além do cuidado que os voluntários da instituição dedicam a cada uma das pessoas atendidas, que busquemos resgatar valores familiares, principalmente no que se refere ao afeto, ao carinho com os nossos entes queridos, aos estudos e ao trabalho, fortificando cada vez mais laços familiares. Certamente se tivermos famílias melhor estruturadas, também teremos menos pessoas abandonadas e vivendo nas ruas.
Importante salientar que muitos dos que vivem nas ruas não estão lá por livre escolha. Alguns foram abandonados ainda quando crianças, outros são prisioneiros de algum vício. Mas todos são vulneráveis, vivem em condições degradantes, todos são seres humanos, assim como eu sou.
Jeandré C. Castelon
Advogado, pós-graduado em Cultura Teológica e membro da Pastoral Familiar
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