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“Buscai o Senhor enquanto ele se deixa encontrar”

| 10/11/2017 - 21:10

“Buscai o Senhor enquanto ele se deixa encontrar”

A busca de Deus é um dos temas mais fascinantes e exigentes da experiência humana. Santos e pecadores, pessoas comuns e de destaque, todos, num momento ou outro, se dão conta da necessidade de encontrar Deus: rosto que fascina e inquieta. O tema do evangelho deste domingo revela a busca e a espera como elemento essencial da vida do cristão. Todos somos chamados a dar uma resposta ao inquietante convite de Deus, não podemos nos entregar ao momento presente, há um “noivo” que nos espera, estar vigilantes e preparados é fundamental.
O tema de Deus, esposo de Israel, é muito importante no Antigo Testamento. Os profetas apresentam a aliança entre Deus e Israel como um matrimônio, repleto de ternura e ciúme, traição e reencontro.
O relato das dez virgens é tirado da vida cotidiana. Depois de um ano ou mais de noivado, celebrava-se a festa de casamento, que consistia em conduzir a noiva à casa do noivo, onde acontecia o banquete. Esta cerimônia não tinha um caráter religioso. O noivo, acompanhado de seus amigos e parentes, ia à casa da noiva para buscá-la e conduzi-la à sua própria casa; na casa da noiva, encontravam-se suas amigas que a acompanhariam no trajeto e participariam da festa. Todos estes rituais começavam com o pôr do sol e avançavam noite adentro daí a necessidade das lâmpadas para poder caminhar. A luz é essencial para o encontro e a concretização do casamento.
As lamparinas e o óleo que as alimenta são expressão da vigilância noturna. Ao mesmo tempo servem para inculcar a responsabilidade pessoal: aqui não vale descuidar-se fiando-se no outro. Não é noite para dormir e distrair-se, o momento exige empenho vigilância e preparação.
A parábola é um convite a viver a adesão a Cristo de maneira responsável e lúcida. “No meio da noite ouviu-se um grito: eis que chega o noivo! Saí ao seu encontro”. Devemos estar atentos e prontos para não perde a oportunidade do encontro. Um cochilo, uma distração pode arruinar tudo. Temos que seguir os passos de Jesus: amor incondicional ao Pai e ao próximo. Por isso a conversão sempre será a meta do cristão.
Temos que cuidar com carinho e atenção do “óleo” que irá garantir um caminho iluminado para o encontro com o Senhor. É uma insensatez deixar que o óleo se extinga de nossas lamparinas. Devemos estar atentos às nossas escolhas e não nos deixar contaminar por valores que destruam em nós e nos outros a vida plena que Jesus nos garantia com tanto empenho.
Que bom quando os cristãos alimentam sua fé, sua esperança com pequenas coisas, com pequenos detalhes e gestos de amor carregados de luz; cada dia, aprofundam um pouco mais na experiência do Evangelho, mantendo sempre suas lâmpadas acesas, atentos à passagem e às pegadas de Deus por suas vidas; e, sobretudo, carregam sempre reservas de óleo para acolher com alegria a chegada surpresa d’Aquele que sempre está vindo ao seu encontro.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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