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Está na hora de revisar e retomar a luta pelo Aeroporto Regional do Oeste

| 07/11/2017 - 21:10

Infelizmente, muitos de nós toledanos continuamos omissos com relação à importância do transporte aéreo para o desenvolvimento do município e região e prosseguimos perdendo oportunidades para viabilizar o retorno de linhas aéreas regulares ao Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho.
Nossa última falha foi deixar de aproveitar a vinda de comitiva oficial da Presidência da República, Michel Temer, cuja aeronave pousou e decolou de nossa pista, para participar de cerimônia de inauguração do maior abatedouro de peixes do País em Palotina, quando poderíamos ter exibido faixas, entregue documentos e mostrado a mobilização de lideranças e cidadãos, para pedir seu apoio ao projeto de retomada de operação do aeródromo.
Afinal, a aeronave presidencial só veio até Toledo no dia 20 de outubro porque o Aeroporto Municipal de Cascavel, para variar, estava fechado devido ao clima adverso. O mesmo ocorreu uma semana depois, quando o avião que conduzia a comitiva do ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintela, também foi obrigado a decolar de Toledo, devido aos problemas da pista da cidade vizinha.
O ministro, vale ressaltar, veio de Brasília ao Oeste do Paraná para participar de cerimônia de inauguração do primeiro trecho da duplicação da BR-163, realizada em Cascavel, mas teve de usar automóvel para retomar a aeronave, que estava à sua espera no Aeroporto Luiz Dalcanale Filho, de Toledo, e retornar a Brasília.
A visita inesperada aconteceu no dia 27 de outubro e poderia também ser aproveitada para oficializar a reivindicação de apoio para a operação da pista local, pois o ministro além de inaugurar o primeiro trecho da duplicação da rodovia entre Cascavel e Ramilândia, de cerca de 18 quilômetros, também anunciou a liberação de recursos para a continuidade da obra, tanto naquele percurso como entre Toledo e Marechal Cândido Rondon.
A duplicação da rodovia, por sinal, reforça a importância econômica, social e institucional de Toledo no contexto estadual e nacional, o que favorece a luta pela operação do aeroporto local, levando em consideração, inclusive, a movimentação econômica do Mercosul. Até por isso, vale lembrar, Ponta Grossa já está recebendo terminal de cargas em seu aeroporto.
Para nós, que estamos na luta pelo retorno de linhas aéreas há 20 anos, como empresário e dirigente de entidades empresariais, não poderíamos falhar dessa forma, pois com o avanço da tecnologia, o crescimento agroindustrial, das exportações e do setor de prestação de serviços da região, no competitivo mercado globalizado, podemos estar colocando em sério risco o futuro do crescimento de Toledo e municípios vizinhos.
Se o Oeste do Paraná é o maior centro de produção e transformação de alimentos do Estado e do País, exportando para mais de 100 países e Toledo detém o maior Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBPA), do Sul do Brasil, além de ser importante centro universitário do Paraná, ao ponto de estar recebendo investimento do porte do Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark), da Prati, Donaduzzi, sem transporte aéreo regular, de passageiros e cargas, a continuidade dessa expansão econômica e social pode ser comprometida em pouco tempo.
Afinal, nossas indústrias, entidades empresariais, instituições de ensino superior e setores públicos, não poderão preservar e expandir suas atuais atividades e investimentos, sem mostrar seus produtos e vantagens a possíveis interessados de todos os continentes e assim enfrentar a concorrência natural do mercado internacional, além de receber dirigentes e técnicos desejosos de conhecer nosso potencial e palestrantes convidados.
Para isso, não podemos continuar dependendo da operacionalidade imprevisível da pista do Aeroporto Municipal de Cascavel, onde o clima adverso e ventos fortes impedem o pouso e decolagem de aeronaves, durante boa parte do ano, ou do deslocamento em ônibus por mais de 100 quilômetros, numa rodovia de intenso movimento, como a BR-277, desde o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu até Toledo.
Falamos isso com a autoridade de cidadão que acompanhou o então prefeito Derli Antonio Donin e o então secretário municipal de Planejamento Estratégico e hoje deputado estadual José Carlos Schiavinato, entre outras autoridades e lideranças, em viagem ao Rio de Janeiro, para audiência com o comando da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), onde fomos muito recebidos pelos dirigentes, que nos surpreenderam também com o seu conhecimento do potencial do aeroporto de Toledo.
Na época já sabíamos que o Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho tinha a segunda melhor condição geográfica para operar aviões de pequeno e médio porte, perdendo apenas para Ilhéus, na Bahia, mas o comando da Anac acrescentou a esse detalhe a importância do transporte aéreo para a economia regional, voltada às exportações, tanto na época como no futuro próximo ou distante.
Na prática, além de acolher e prometer apoio à reivindicação de Toledo, a Anac se dispôs, inclusive, a fornecer, sem custos, projeto de engenharia de adequação da pista da época para a operação de aviões de médio porte, tanto de passageiros como de carga, mas tudo ficou na conversa bonita e continuamos até hoje sem linhas aéreas.
Antes disso, vale recordar, o início dos anos 90, na gestão do ex-prefeito Luiz Alberto de Araújo e sob a coordenação do então chefe de Gabinete da Prefeitura, o saudoso Manoel Raymundo de Carvalho, se conseguiu a implantação de linhas aéreas da então empresa Rio-Sul, pertencente à extinta Viação Aérea Riograndense (Varig), com ligações entre Toledo, Cascavel, Curitiba e cidades do Rio Grande do Sul.
Nem mesmo alto preço das tarifas, o equivalente a quatro vezes o custo de passagens em ônibus-leito para os mesmos destinos, reduziu o interesses ou número de passageiros, viabilizando as operações, que também contavam com o apoio da Prefeitura, Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit), a então Sadia e outras grandes empresas da cidade, que adquiriam lotes de bilhetes com regularidade.
Dessa forma, o poder público, as entidades de classe e os segmentos produtivos de Toledo e região conseguiram atender aos interesses econômicos da empresa aérea, cujos vôos estavam quase sempre lotados, mas, a inesperada falência da controladora, no caso a Varig, acabou também encerrando as atividades da empresa área regional denominada Rio-Sul, uma das pioneiras do País.
Foi o último avanço nessa histórica demanda, depois dos anos 50, quando Toledo construiu pista do aeroporto ainda de terra em menos de três dias, para receber diversas linhas áreas, entre as quais algumas pertencentes á então Aviação Sadia, ligando Toledo e cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e trazendo à cidade interessados na compra de terras no projeto de colonização do município e região.
Para reverter essa trajetória, propomos, inclusive, a busca de um acordo com Cascavel, para que a pista do Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho, se torne ao menos alternativa para o aeródromo da vizinha cidade, nos dias em que não puder receber pousos e decolagens de suas atuais linhas aéreas.
Assim, sem conseguiu operar em Cascavel, as companhias aéreas iriam utilizar a pista de Toledo, bem mais próxima que as atuais alternativas e que normalmente está em condições de receber as aeronaves, quando a neblina ou ventos fortes impedem as operações na vizinha cidade, beneficiando passageiros de toda a região e viabilizando a operação das linhas comerciais o ano inteiro.
Essa condição perduraria até a efetiva construção do Aeroporto Regional do Oeste, em Espigão Azul, entre os municípios de Cascavel, Toledo e Tupãssi, com localização geográfica privilegiada e condições para atender a demanda de transporte aéreo do poder público, das empresas, das instituições de ensino superior e da população de dezenas de cidades do Oeste e Noroeste do Paraná.
O local é perfeito para abrigar terminal de passageiros e outro de cargas, como exige o crescimento agroindustrial da região, que já exporta para o mundo inteiro e envia filés de tilápia, por exemplo, para os Estados Unidos, através do Aeroporto de Foz do Iguaçu.
A obra é viável, necessária e urgente, como era no governo de Jaime Lerner, que veio ao local anunciar a decretação de utilidade pública da área necessária e a destinação de recursos para o início da execução do projeto. Na época, vale recordar, Toledo não estava sequer no Plano Aeroviário do Estado, perdendo até mesmo para Guaíra.
Agora, autoridades e lideranças da região voltaram a defender a construção do Aeroporto Regional do Oeste, contando com o apoio de Cascavel e do Governo do Estado, mas como sabemos, a obra não será executada em menos de 15 ou 20 anos, como aconteceu com projeto semelhante em Maringá.
Como o transporte aéreo é fundamental para a região liderada por Toledo, onde se concentram dezenas de municípios desenvolvidos, com grandes agroindústrias e produção voltada à exportação, além de universidades públicas e privadas e novos empreendimentos de repercussão nacional e internacional, como o Biopark, precisamos encontrar uma solução viável para a adoção imediata e atendimento das necessidades do poder público, dos segmentos produtivos e dos cidadãos.
Todos precisamos nos conscientizar ainda que hoje o transporte aéreo é diferentes do de algumas décadas, pois a redução do valor das passagens e a implantação da aviação regional, permitiram o acesso de grande parcela da população ao serviço, como comprova o intenso movimento de passageiros nos aeroportos de Cascavel, quando está em operação, e Foz do Iguaçu, entre outras cidades de todo o País.
Como temos de participar de reunião mensal da federação do nosso sindicato em Curitiba, sabemos dos transtornos impostos aos usuários do transporte aéreo de Cascavel, pois ao longo do inverno e da primavera, o aeroporto da cidade muitas vezes e durante dias, permanece fechado para pousos e decolagens, obrigando as companhias áreas a estender os vôos até Fo\z do Iguaçu ou até mesmo retornar a Curitiba.
Em ambos os casos, os dissabores para os passageiros são enormes, pois têm de viajar de ônibus até o destino final por mais de uma centena de quilômetros, ou permanecer hospedados em hotéis bancados pela empresa aérea em cidades distantes, perdendo compromissos e enfrentando frustrações e dificuldades injustas e contraditórias para o atual desenvolvimento da aviação comercial no mundo inteiro.
A concordância de Cascavel, devemos reconhecer, já representa avanço importante, corrigindo o que aconteceu há algumas décadas, quando se concluiu que o problema do aeroporto local estava no direcionamento da pista, contrário aos ventos predominantes na região, além da altitude da cidade ser mais suscetível ao clima adverso, sem haver espaço no local para a correção da distorção, com implantação de novo traçado.
Cascavel, na época administrada pelo então prefeito Salazar Barreiros, propôs então a construção de novo aeroporto municipal nas margens da BR-277, na direção Leste, muito distante de Toledo, já que as linhas de transmissão de energia elétrica da Itaipu Binacional impediam a execução da obra em área considerada ideal para as duas cidades, como seria a proximidade de Sede Alvorada.
O autor é empresário e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Toledo e Região, com abrangência de 12 municípios do Oeste do Paraná. E-mail: jbc_60@hotmail.com
    1 COMENTÁRIO
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  • Julio
    Quanta bobagem. 1 - Descer Airbus A-319 ou seu similar em tamanho e peso, o Embraer 195, não é comprovação de capacidade técnica para operações comerciais de aeronaves maiores. Fosse assim, melhor e mais barato fechar a ANAC, ou ao menos seus departamentos técnicos de certificação, e mandar os aviões presidenciais para voar Brasil afora. Desceu? Tá certificado; 2 - O aeroporto de Cascavel operou normalmente no dia relatado, tanto é verdade, que outro avião presidencial, pousou em meio às operações comerciais naquele aeroporto. Foi um Embraer 195, que já havia dado as caras por lá inúmeras vezes, uma delas levando a presidente Dilma Roussef, a última fazendo um voo teste. Fizeram isso para que Temer tivesse um avião reserva, caso Toledo não desse condições para decolagem da primeira aeronave. Mesmo assim o aeroporto de Cascavel pena, e muito, para receber a certificação da ANAC; 3 - Existem inúmeros e caríssimos obstáculos para serem sanados, até que o aeroporto de Toledo fique apto para operar companhias aéreas. Além do tamamho da pista, o mais grave é a falta de área livre de 150 metros em cada lado do eixo central, impossível de ser feita porque há uma rodovia ao redor, bem como o terminal recéntemente reformado e hangares; 4 - Se querem mesmo saber se há condições de Toledo operar, melhor perguntar não lá no posto Ipiranga, para as companhias aéreas. Melhor ainda, para A companhia aérea, já que apenas a Azul voa com o ATR-72, único avião que poderia ser liberado para as condições do Luiz Dalcanale. A outra, Passaredo, já é carta fora do baralho. E pelo que lembro, há anos comitivas da municipalidade vão até estas empresas, que entre sorrisos e tapinhas nas costas, dizem achar tudo maravilhoso e que pensarão no caso. Fazem isso há uma década, sem sucesso, pelo que se vê, e a resposta para a pergunta que ninguém faz é "demanda". Cascavel é maior e têm mais passageiros. Sonhar com a Azul saindo de CAC e indo para Toledo é uma tolice. A boa notícia, de fato, pode vir do aeroporto regional, que não receberá um voo antes de 2030. Até lá, parem de atacar o aeroporto vizinho e lutem para que ao menos a região tenham voos melhores.
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