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Lampião e os políticos enjaulados

| 06/11/2017 - 21:30

Vai ficando cada vez mais claro para todo mundo, que os sistemas penal e jurídico brasileiro não estavam nem um pouco preparados para se ajustar a nova realidade trazida pela Operação Lava Jato e congêneres. Principalmente com relação a prisão de grandes figurões da república. Acostumados ,por décadas, com a leniência da justiça , contando ainda com a blindagem dos cargos , o compadrio cúmplice de seus pares e sob a proteção dos mais caros escritórios de advocacia do país, muitos de nossos políticos vêm , de longa data, saqueando o Estado, através da transformação dos partidos em verdadeiras lavanderias de propinas.
Contando ainda com apoios discretos em toda a parte, a prisão desses personagens de ponta tem sido uma dor de cabeça para todos aqueles que ainda acreditam na efetividade da justiça. A entrada e saída advogados, sem qualquer fiscalização nos presídios, tem mostrado o quanto é fácil para essa gente, mandar e receber recados, montar estratégias para desacreditar juízes íntegros, ameaçar agentes da lei, subornar carcereiros, e urdir estratégias mais desleais para escapar das garras da lei.
O correto e mais sensato, seria afastar esses figurões de seus feudos e capitanias , mandado-os para presídios bem distantes de seus currais eleitorais, onde não possuam ascendência . Colocá-los sobre estrita vigilância, deveria ser a primeira providência. Não se trata aqui de revanchismo tolo, mas da simples constatação de que esse tipo de preso , por sua influência e pelo poder que ainda exerce sobre muitos de seus comparsas ainda livres , é de extrema periculosidade para a sociedade.
Não são bandidos comuns, pés de chinelo, mas gente que conhece os meandros do Estado, a culpa de cada um e não raro contam com a simpatia cordial nas altas cortes.
As seguidas ameaças, veladas ou não, feitas aos membros do judiciário por estes presos, por si só, já bastariam para enquadrá-los sob o mais severo regime disciplinar.
A ameaça aqui, é que a livre comunicação entre os que estão enjaulados e seus pares do lado de fora , que ainda estão com assento nos Legislativos do país, possa ensejar a confecção de leis de anistias, de abuso de autoridade, ou outras que impeçam a prisão já em segunda instância. É preciso não subestimar o poderio desse tipo de preso, muito menos sua capacidade de influir para soterrar as operações do Ministério Público e da Polícia Federal. Ingenuidade pensar que este indivíduos passem a maior parte do dia lendo poesia e escrevendo diários sobre suas experiências pessoais.
Estes novíssimos presidiários estão diuturnamente tramando, ameaçando, articulando e bolando planos para manter o status quo antigo onde, do alto de seus postos, roubavam um país inteiro, levando milhões de brasileiros a mais vil miséria. Sem educação, sem saúde, sem segurança. Taxas, impostos, água, luz, gasolina, preços cada vez mais altos galgando na passividade da população.
Não se sabe ainda o valor exato da dinheirama desviada dos cofres públicos por estes sujeitos. O óbvio é que pela situação em que se encontra o país, do ponto de vista econômico, social , ético e político, o montante rapinado empurrou o país para a mais profunda crise de toda a sua história. Não é pouca coisa. Por isso todo o cuidado é pouco.
O caso do Rio de Janeiro é o mais simbólico. Por se tratar de uma antiga capital federal e cartão de visita do país, é neste estado da federação que estão caracterizados, da melhor forma possível, o quão nefasto pode ser o desvio de conduta das autoridades e quão danosas são as repercussões, quando pessoas designadas pela população para cuidar do Estado se transformam em bandidos e membros de quadrilhas que fariam hoje o bando de Lampião ser visto como dançarinos de alguma festa de São João.
colunadoaricunha@gmail.com
    1 COMENTÁRIO
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  • anildofinkler@hotmail.com
    Porque os brasileiros com curso superior,que tiveram o privilegio de estudar em boas faculdades,quando são presos tem o direito de cela especial?
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