Cultura

Foi em 1717 que uma imagem simples e quebrada transformou a fé de um povo até receber o título de Pa

| 11/10/2017 - 20:30

Foi em 1717 que uma imagem simples e quebrada transformou a fé de um povo até receber o título de Pa

Tirada do rio Paraíba, em 1717, por humildes pescadores - gente do povo que amava o trabalho e a religião – começaram a venerá-la, invocando-a em suas necessidades. Nos humildes e pobres pescadores e na imagem enegrecida e machucada o povo brasileiro viu-se identificado, como se tudo isto fosse cópia de sua própria vida e existência. Foi um amor à primeira vista, pois Filipe Pedroso, ao contemplar a pequenina imagem, que segurava nas mãos, exclamou: ‘Minha Nossa Senhora Aparecida!´.Tudo começou quando os pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, foram encarregados de conseguir peixe para o banquete que a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá iria oferecer a Dom Pedro de Almeida e Portugal, o Conde de Assumar, que na época também era o Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais, e estava visitando a região no período de 17 a 30 de outubro de 1717.

Foi após várias tentativas de pesca, que os três pescadores tiraram das águas do rio Paraíba uma imagem de Nossa Senhora que veio nas redes em dois pedaços: primeiro o corpo e em seguida, rio abaixo, a cabeça.
João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia depois de colocar a imagem dentro do barco, puderam vivenciar a ação da Mãe de Deus. Os pescadores que antes não tinham conseguido pescar nada, encheram as suas redes com uma quantidade abundante de peixes.
Antes de levarem os peixes para o banquete, entregaram os pedaços da estátua a Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, irmã de Felipe e mãe de João, que reuniu as duas partes com cera, e a colocou num pequeno altar na casa da família, agradecendo a Nossa Senhora o milagre dos peixes. Nascia ali uma devoção, reunindo todos os sábados os moradores da região para rezarem o terço e cantarem a ladainha.
Entre 1717 e 1732 a imagem peregrinou pelas regiões de Ribeirão do Sá, Ponte Alta e Itaguassú. Em 1732 Felipe Pedroso entregou a imagem a seu filho Atanásio Pedroso que construiu o primeiro oratório aberto ao público.
Em virtude da expansão da devoção a Nossa Senhora ‘Aparecida’ das águas o vigário de Guaratinguetá, padre José Alves Vilela, e alguns devotos, construíram no ano de 1740 uma pequena capela. Na capela acontecia a reza do terço e o cântico das ladainhas, mas não se celebrava a Eucaristia.
Em 1743, o vigário Pe. Vilela fez um relatório dos milagres e da devoção do povo para com Nossa Senhora Aparecida e enviou ao Bispo do Rio Janeiro, Dom Frei João da Cruz, para que ele aprovasse o culto e autorizasse a construção da primeira igreja em louvor a imagem que ficou conhecida como Mãe Aparecida. A aprovação aconteceu em 5 de maio em 1743.
A igreja foi construída no Morro dos Coqueiros, atual colina onde está localizado o centro da cidade de Aparecida, em terra doada pela viúva Margarida Nunes Rangel, com escritura passada em 6 de maio de 1744. A inauguração da igreja, que deu também origem ao Santuário, aconteceu na festa de Santa Ana, no dia 26 de julho de 1745. Nesta ocasião foi inaugurado também, o povoado com o nome de ‘Capela de Aparecida’. No dia 25, a imagem foi levada em solene procissão a nova igreja e colocada no nicho do altar. No dia 26 aconteceu a benção da imagem e a celebração da primeira missa. Esse foi o primeiro santuário que acolheu multidões, foi construído em taipa de pilão e não resistiu ao tempo. Em 1844 apresentou risco de desmoronamento e o setor administrativo da capela resolveu pela construção de um novo templo.
Basílica velha
A igreja inaugurada pelo pe. Vilella, anterior à Basílica Velha, já possuía a Sala dos Milagres em 1745. Nesse período os objetos de promessas eram poucos e bem simples e ocupou ainda muitos lugares em todos estes anos. Em 1974 a Sala das Promessas chegou ao subsolo do novo Santuário.
A fé e as demonstrações de afeto a Nossa Senhora Aparecida se estenderam para além da região onde ela foi encontrada, surgindo em 1782 na cidade de Sorocaba (SP), uma capela dedicada a Mãe Aparecida. Essa foi a primeira de tantas capelas construídas Brasil afora.
Dom Pedro I, durante sua viagem ao Rio de Janeiro e São Paulo, passou no Santuário de Aparecida. D. Pedro, caso resolvesse favoravelmente sua complicada situação política. Isto ocorreu no dia 22 de agosto de 1822. Quinze dias depois, em 7 de setembro, em São Paulo, nascia o Brasil independente, pelo brado histórico do príncipe que se tornaria o primeiro imperador com o
nome de D. Pedro I.
O imperador Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina estiveram em 1843 e em 1865 na capela de Aparecida, para rezar diante da imagem.
A festa era celebrada em 8 de dezembro
A festa da Aparecida no ano de 1868, até então celebrada em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, foi encerrada com a participação de uma pessoa especial. A princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, quis participar das celebrações ao lado de seu marido, o Conde d’Eu, na esperança de obterem da Senhora Aparecida a graça de um herdeiro.
Anos depois, em 1884, a princesa Isabel voltava a Aparecida em reconhecimento pela graça recebida. Feliz, vinha acompanhada não só do esposo, mas dos três herdeiros, os príncipes D. Pedro, D. Luís e D. Antonio.
A princesa novamente quis honrar a imagem da Senhora Aparecida oferecendo-lhe dessa vez, uma coroa de ouro 24 quilates, 300 gramas, cravejada de brilhantes. Essa mesma coroa serviu, vinte anos depois, para a solene coroação da Imagem, por ordem do Papa São Pio X.
Monte Carmelo marca a história de Aparecida
Em 24 de junho de 1888 Dom Lino D. R. de Carvalho, bispo de São Paulo inaugurou a igreja conhecida como ‘Igreja de Monte Carmelo’ (Basílica Velha). Essa construção teve como personagem principal Frei Joaquim do Monte Carmelo, pois foi ele quem se dedicou integralmente aos projetos dessa obra.
A igreja, hoje denominada Basílica Velha, foi reformada e ampliada em 1768. O primeiro vigário do Santuário foi o padre Joaquim Pereira Ramos. Em 1817 a Igreja recebeu uma aquarela feita pelo pintor austríaco Thomas Ender, por ocasião de sua passagem pelo Santuário. No ano de 2004 a Matriz Basílica de Aparecida passou por uma restauração, a sua reinauguração foi em fevereiro de 2015.
:: Conheça o primeiro Santuário de Nossa Senhora Aparecida ::
Em 1893 houve muitas mudanças significativas com a criação da Paróquia de Aparecida e a concessão à “Basílica Velha” do título de Episcopal Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, assinada por Dom Lino Deodato Rodrigues, Bispo de São Paulo em 28 de novembro.
Em 1894 os Missionários Redentoristas chegam a Aparecida, provenientes da Baviera, Alemanha, para se dedicarem ao cuidado pastoral do novo Santuário, onde permanecem até os dias atuais. A Congregação do Santíssimo Redentor assinou o contrato assumindo oficialmente o Santuário de Aparecida em janeiro de 1895.
:: Redentoristas no Brasil::
A primeira ideia de construção surgiu em 1917, por ocasião das celebrações do bicentenário do Encontro da Imagem. O projeto tomou forma ainda sob o arcebispado de Dom Duarte Leopoldo e Silva em São Paulo, mas sua realização estava condicionada à conclusão das obras da Catedral da Sé.
Simbolicamente, o local das futuras obras recebeu, no dia 8, uma procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
A solenidade de lançamento da pedra fundamental do novo Santuário teve a participação do clero e de autoridades civis em 10 de setembro de 1946. Porém na madrugada ela foi roubada. E em agosto de 1954, com a plataforma da construção e a canalização do córrego da Ponte Alta que passava aos pés do Morro das Pitas, foi renovado o ato da Bênção da pedra fundamental. O Cardeal Legado Dom Giovani Piazza celebrou missa às 10h30 e, após a missa,
o projeto da nova Basílica foi encomendado pelo Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, em setembro de 1947, ao arquiteto Benedito Calixto de Jesus. A estrutura e os cálculos do concreto armado eram do engenheiro civil Paulo Franco Rocha. O início efetivo da construção ocorreu em 11 de novembro de 1955.
A primeira missa no local aconteceu no dia 11 de setembro de 1946, presidida pelo Cardeal Motta.
CNBB – declara oficialmente, a Basílica de Aparecida como Santuário Nacional
As atividades religiosas no Santuário, em definitivo, passaram a ser realizadas a partir do dia três de outubro de 1982,
Na manhã do dia três, o Arcebispo de Aparecida, Dom Geraldo Maria de Moraes Penido fez a entrega do templo, à Matriz-Basílica de Aparecida, ao redentorista e vigário da cidade Padre Elpídio Tabarro DalBó. A imagem de Aparecida foi embarcada num carro do Corpo de Bombeiros e levada em cortejo pela cidade até o altar montado na Esplanada do Santuário, para uma celebração eucarística.
As obras sacras do Santuário de Aparecida são de responsabilidade do artista Cláudio Pastro que está à frente do projeto de criação de painéis, vitrais e de formas para o espaço da Basílica Nova.
No dia três de outubro de 1983, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – declarou, oficialmente, a Basílica de Aparecida como Santuário Nacional.
O Santuário de Aparecida foi beneficiado com a conclusão de uma grande obra rodoviária na região Sudeste. Em janeiro de 1951, foi inaugurada a Nova Rodovia Rio-São Paulo, a Rodovia Presidente Dutra, que substituiu a antiga ligação, em funcionamento desde 1928.
Na reunião inaugural da Comissão Permanente da CNBB, em 1952, o Cardeal Motta dirigiu ao clero e ao povo uma convocação para o Primeiro Congresso Mariano da Padroeira do Brasil para o ano de 1954, coincidindo com o Congresso Mariano Nacional, edição do Jubileu de Ouro da Coroação (comemorados a cada 25 anos, desde 1904) e das festividades do quarto centenário de fundação da cidade de São Paulo.
Festejos de 250 anos
Em 1967, por ocasião dos festejos dos 250 anos do Encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, o Santuário recebeu uma Rosa de Ouro, uma distinção outorgada pelo Papa a pessoas, cidades ou centros de devoção como prova de estima.
Papa Paulo VI, o beato que ofereceu a primeira rosa de ouro ao Santuário de Aparecida :
Durante as comemorações do jubileu de 250 anos, em 1967, foi reinaugurado o Museu Santuário, instalado no segundo andar da torre Brasília. Os correios também fizeram homenagens, lançando selos comemorativos da entrega da Rosa de Ouro e dos 250 anos da Imagem de Aparecida.
A concessão da Rosa de Ouro foi anunciada pelo próprio Papa Paulo VI aos jornalistas brasileiros que acompanhavam a comitiva presidencial na viagem de Costa e Silva a Roma, em cinco de janeiro do mesmo ano.
Jornada pelo Brasil
Entre os anos de 1965 e 1967 a imagem de Nossa Senhora Aparecida participou de uma grande e demorada jornada pelo Brasil,1965: Brasil se preparava para o Jubileu de 250 anos do encontro da imagem::
Em 1968 a Imagem faria outras sete peregrinações menores e regionais.
Mesmo depois do encerramento oficial da Peregrinação Nacional, em 1968 a imagem original de Nossa Senhora Aparecida sairia 11 vezes do Santuário. No período de 31 de agosto a 3 de setembro de 1972, a imagem de Nossa Senhora foi apresentada nas comemorações do aniversário da Independência do Brasil em São Paulo.
Papa João Paulo II esteve no Brasil no ano de 1980 e no dia 4 de julho visitou a cidade de Aparecida, na ocasião consagrou e concedeu o título e benefícios de Basílica Menor ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida.
Concurso Nacional para escolher a Coroa do Centenário de Coroação da Imagem
Em 2003 foi realizado um Concurso Nacional de Design para escolher a Coroa do Centenário de Coroação da Imagem de Aparecida. Participaram 167 artistas, de 17 estados brasileiros.
A coroa vencedora foi produzida em ouro amarelo de 18 quilates, projetada por Lena Garrido e Débora Camisasca, que trabalharam com delicadas hastes que convergiam para uma cruz, composta de pedras verdes e amarelas.
O ano de 2004 foi marcado pelo Centenário da Coroação Pontifícia de Nossa Senhora Aparecida. A solenidade teve amplo significado com as comemorações da Proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Rainha do Brasil e do Jubileu dos 150 anos da Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição de Maria. Como reconhecimento da importância do Centenário, o Papa João Paulo II concedeu um período de Indulgências Plenárias, de maio ao final de dezembro.
Quem esculpiu a imagem
De acordo com a historiadora Tereza Pasin a imagem de Nossa Senhora Aparecida teria sido esculpida por volta do ano de 1600. “A provável pessoa que teria feito a imagem foi o frei Agostinho de Jesus, discípulo de frei Agostinho da Piedade, porque o tipo de escultura é o mesmo”, esclarece.
Frei Agostinho de Jesus, se ocupava em moldar na argila piedosas imagens da Imaculada Conceição. Eram pequenas e se destinavam a oratórios domésticos.
Não há informações sobre como a Imagem foi parar no rio Paraíba, antes de ser resgatada. Para a historiadora, a Imagem tanto pode ter sido jogada por alguém que quis se desfazer da imagem quebrada, ou a peça poderia estar abrigada em uma capelinha na cidade de Roseira, quando foi arrastada por uma enchente. “A capelinha desapareceu; isso foi escrito por um padre em 1956, que fala dessa enchente”, pontua.
Museu Nossa Senhora Aparecida
Atualmente o Museu Nossa Senhora Aparecida expõe a “Coleção Santa Gertrudes de Imagens Paulistas do Século XVII”, conta com 54 obras produzidas há mais de trezentos anos. Um dos destaques da exposição é uma escultura de Frei Agostinho de Jesus com muita semelhança à imagem de Aparecida, encontrada pelos pescadores em 1717. A peça é tratada como ‘irmã’ da Imagem da Mãe Aparecida.
Santuário Nacional é um complexo de evangelização
Santuário inaugura exposição “Coleção Santa Gertrudes de Imagens Paulistas do Século XVII”:
Hoje o Santuário Nacional é um complexo de evangelização que recebe milhões de romeiros todos os anos. Sua estrutura de acolhida, com estacionamento, sanitários, bebedouros, lanchonetes e outras comodidades ajudam o devoto a dedicar tempo para rezar, objetivo de todos os que aqui chegam. O trabalho pastoral diário conta com celebrações eucarísticas, sacramentos da penitência, batismo e matrimônio. Tudo no Santuário é feito com muito amor e acolhendo fraternamente a todos os que chegam pra visitar a Senhora Aparecida.

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