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Ódio de classe

| 11/10/2017 - 21:30

A formação do Brasil por suas três matrizes étnicas - indígena, portuguesa e africana - carrega dentro de si a luta de classes e a bestialidade de uma colonização com perfil capitalista e salvadorista.
Germinada na desculturação, seja ela indígena, européia ou africana, edificamos uma estratificação social perversa, de domínio de uma minoria senhoril, que se especializou em obter o poder político e coexistir à custa de privilégios e se locupletando do Estado.
Trágica consolidação, a classe dirigente se viabilizou por meio de massacres, assassinatos, e chibatas. O processo violento e segregacional embutiu no Brasil um verdadeiro ódio de classes que se sustenta por séculos.
Revela-se, contemporaneamente, nas campanhas de intolerância nas redes sociais, as agressões contra os nordestinos, contra os beneficiários do “Bolsa Família”, contra a ascensão dos despossuídos de direitos à universidade e ao consumo, na expressão de que aeroporto parece rodoviária, entre outros mantras de odiosidade.
O afloramento do ódio de classes manifesta-se com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, onde os pêndulos da balança se moveram na conquista de direitos à classe trabalhadora.
Projetando o Brasil para um desenvolvimento industrial com ênfase na defesa soberana de nossos interesses, afrontou-se o complexo de vira-latas de nossas elites subservientes e escravagistas, somando-se ainda a concessão de direitos, em especial, na consolidação da CLT.
Getúlio Vargas foi o primeiro a compreender a luta de classe e enfrentá-la. Pagou com a própria vida a campanha de insultos odiosos da classe dominante, mas diferente do que imaginavam os herdeiros de nossas Capitanias Hereditárias, Getúlio Vargas venceu.
Outro que foi vítima do ódio de classe foi João Goulart, fio condutor da história, que ligava a continuação do projeto trabalhista na construção do Brasil. Jango foi apeado do poder por um golpe de Estado, numa junção de militares e elites retrógradas.
Período esse onde as atrocidades contra os adversários dos ditadores foram a marca permanente. Assassinatos, torturas, e crimes contra a humanidade, mostraram toda a fúria de nossa classe dominante.
Vítimas, da mesma forma do ódio de classe, temos os governos do PT, que entre erros e acertos, conseguiram melhorar a vida do povo brasileiro. Programas sociais assertivos alçaram a classe de marginalizados à elevação social.
Entretanto, não compreenderam a luta de classe, não enfrentaram a ira e o renascimento do ódio social, e caíram ao tentarem compor com as velhas e oligarcas elites.
Vivenciamos o acirramento deste ódio. A criminalização da política e dos movimentos sociais são os sintomas mais evidentes desta luta e deste ódio.
Figuras fascistas, discursos odientos, governo ilegítimo, Congresso de cócoras e conservador são as marcas da reação de nossa classe dominante que nutre o ódio de classe.
Henrique Matthiesen
Bacharel em Direito
Jornalista
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