Economia

Apontamentos sobre crise e reação da economia Paranaense

| 05/10/2017 - 21:10

Apontamentos sobre crise e reação da economia Paranaense

Segundo análise do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos - CODACE/FGV, o Brasil ingressou no atual ciclo recessivo no 2º trimestre de 2014, após um período de crescimento de vinte trimestres consecutivos. Ainda não se tem clareza, no cenário nacional, de saída estrutural do Brasil do ciclo recessivo, ainda que os indicadores antecedentes e conjunturais apontem para uma reação da economia neste ano, dado o crescimento do PIB, em relação ao trimestre anterior, nos dois primeiros trimestres.
A perspectiva é que, em função do forte crescimento do agronegócio, puxado por uma excepcional safra agrícola, da contínua redução da taxa de juros básica e da expansão da demanda externa, diante de um câmbio melhor ajustado para aproveitar as novas oportunidades do comércio mundial, a economia brasileira possa ter um pequeno crescimento, entre 0,5 e 1,0% em 2017, e ajustar uma taxa de crescimento superior a 2,5% em 2018. Uma brisa de ar fresco depois de dois anos consecutivos de quedas superiores a 3,5% no PIB.
Mesmo assim, a economia ainda está longe de uma estação mais refrescante, depois de tanto período de seca. Ainda que os mercados financeiros estejam movimentados e precificando em alta a recuperação da economia brasileira, reposicionando o preço de ativos, as bases mais sólidas da recuperação brasileira e retomada do crescimento vão depender do cenário eleitoral resultante das eleições de 2018. Como os mercados financeiros vivem de ganhos especulativos, esperam-se grandes emoções no ano eleitoral, com os institutos de pesquisa de intenções de voto parametrizando os índices na bolsa de valores.
Mas como a economia paranaense está reagindo? Quais são os parâmetros de retomada de nossa região que são distintos do observado na economia brasileira? Este artigo é o primeiro de uma série que irá investigar os indicadores e parâmetros econômicos regionais neste momento de inflexão. Como não se dispõe de informações regulares do PIB Trimestral da economia paranaense, utilizaremos para avaliar o desempenho geral da economia os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC) calculados, desde 2003, para diferentes regiões do país (IBCR), entre os quais destacamos as informações para o Paraná.
Nos últimos 10 anos, ficou evidenciado o ciclo de crescimento da economia brasileira e paranaense entre meados de 2009 e o início de 2014, período que marcou um descolamento no ritmo de expansão entre o Paraná e o Brasil. Nessa fase de ciclo de expansão, o Paraná observou uma taxa de crescimento anualizado da atividade econômica média de 4,4%, enquanto no Brasil a média ficou em 2,8%. O pico do IBC-Brasil e IBCR-Paraná foi marcado no início de 2014, quando atingiu 147,99 pontos para o Brasil, em março/2014, e 166,68 pontos para o Paraná, em janeiro/2014.
A partir deste período, foi observada uma fase de ciclo recessivo, com contração contínua até o dezembro de 2016. Nessa fase recessiva, o país observou uma contração anualizada média de 2,5%, com uma queda de 10,1% na sua atividade econômica. Na mesma fase recessiva, o Paraná observou uma contração anualizada média de 1,7%, com queda de atividade econômica de 8,6%. No ciclo de expansão, o Paraná teve um desempenho superior e ciclo de recessão. A queda foi crítica, mas menos íngreme do que no restante do país.
A diferença é ainda mais notável na atual fase de reação. O Paraná, de acordo com o IBCR, iniciou sua reação ainda em setembro de 2016, e até julho de 2017 já observou um crescimento na sua atividade econômica de 5%, enquanto que o Brasil, que começou sua recuperação somente no início de 2017, cresceu, em sete meses de reação, cerca de 2%. O Paraná sai antes e com maior força na sua reação econômica, enquanto o Brasil, mais abalado pelos parâmetros de endividamento e finanças públicas (da União e estados chaves como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul), além da retomada lenta em alguns setores industriais, revela uma capacidade de reação mais modesta.
Ainda que o ritmo de reação da economia brasileira e os condicionantes macroeconômicos nacionais, como taxa de juros, taxa de câmbio, inflação, salário, preços administrados, além do macroambiente definido pelas negociações internacionais e os condicionantes políticos e jurídicos, formem o cenário que limita ou possibilita maior crescimento regional, o que se observa é que o Paraná obtém bons resultados econômicos impulsionados por sua estrutura produtiva mais diversificada, dinâmica e competitiva.
WILHELM MILWARD MEINERS é professor e pesquisador do Estúdio de Economia da PUC-PR e colaborador do Comitê Macroeconômico do ISAE/FGV.
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Economia'

Indicador de emprego da FGV chega a 103,9 pontos

Crescimento nos próximos anos será mais equilibrado entre setores, diz ministro

Mudar transporte contra aquecimento global requer apoio, dizem especialistas

54% dos consumidores querem reduzir os gastos em dezembro

Empresas podem optar até 20 de dezembro pela antecipação do eSocial

Natal: 11% dos pais que pretendem presentear irão atrasar contas

Assembleia aprova projeto que pode aumentar impostos empresas

Leniência fechada pelo MPF deve garantir R$ 24 bi aos cofres públicos

Após fraco resultado, setor de transporte mantém otimismo cauteloso para 2018

Mais Destaques
"Poder-É a capacidade de arbitrariamente, agir e mandar, exercer a autoridade, a soberania, o império dos grupos que se formam visando o poder, o monopólio. Quanto maior a dependência de A em relação a B, maior o poder de B em relação A. Desconhecido"
(Desconhecido)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)