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Que planeta deixaremos às futuras gerações?

| 25/09/2017 - 21:00

Caberão às novas gerações buscar soluções para os graves problemas criados por nós, nos últimos 50 anos, e que acabou por nos conduzir, talvez, ao maior de todos dilemas da humanidade. Tem sido assim, desde que o mundo é mundo. A diferença agora é que os problemas que estamos deixando como herança para os futuros habitantes do planeta são de tal magnitude que, seguramente, vão se prolongar ao longo de todo esse século.
A primeira dessas grandes questões que se impõem é como compatibilizar o vertiginoso crescimento da população, num planeta em franco processo de aquecimento global, com riscos consideráveis para a deterioração irreversível das terras agricultáveis, sabendo-se, de antemão que, mesmo após detido diagnóstico, elaborado pelos mais renomados cientistas do mundo, ainda assim, não foi iniciada nenhuma das medidas propostas pelos estudiosos do clima, para, ao menos, buscar amenizar as consequências do nefasto efeito estufa que se anuncia com fúria nunca vista.
Em outras palavras, estamos destruindo o mundo sob nossos pés, devastando impiedosamente a natureza em nossa volta e entregando às novas gerações uma terra arrasada pela ganância desmedida e pela ignorância vaidosa. Se adicionarmos aos fatores dessa equação intrincada as grandes movimentações de populações em busca desesperada por sobrevivência em outros países, formando, o que é visto hoje, a maior leva de migrantes de toda a história da humanidade, o problema cresce em complexidade e desafio.
Envoltos em nossos próprios problemas, que são demasiados e complexos, ainda não nos demos conta de que também somos parte do grande dilema global. De saída, é bom destacar que temos parcela de responsabilidade com o assunto, uma vez que, como grandes produtores de grãos e de proteína animal, prosseguimos, insistentemente, devastando nossos recursos naturais para tornar cada vez mais rentável o agronegócio, altamente mecanizado, com sementes transgênicas e que enriquecem poucos.
Num futuro, que se anuncia para muito breve, as mesmas razões que levam alguns hoje a acreditar que, em nome do agronegócio, tudo é permitido e justificável, serão vistas como crimes de grande gravidade. Quem acompanha a sequência de fenômenos climáticos que vão se sucedendo em nosso país, pode perceber que alguma coisa estranha e fora dos eixos está acontecendo. Rios importantes estão secando, espécies de animais, desaparecendo a um ritmo nunca antes visto. Extensas coberturas de matas naturais são varridas.
Ao lado desse deserto que vamos semeando dia a dia, prossegue, como de costume, o desmatamento da Amazônia, pela extração criminosa de madeiras nobres. Outras extensas áreas naturais estão sendo entregues, até ilegalmente, a mineradoras nacionais e internacionais.
O desdém com que tratam o nosso território e a soberania nacional é de tal monta que aparece quase que, diuturnamente, nas principais manchetes dos jornais do mundo. O aumento significativo nas temperaturas tem assustado as populações das metrópoles, num prenúncio de que, a cada ano, vão num crescendo preocupante. O racionamento de água é hoje realidade na maioria de nossas cidades.
A própria capital, que teve no passado, como um dos motivos estratégicos para ser assentada neste sítio, a questão de que aqui nascem as águas que formam nossas principais bacias hidrográficas, enfrenta a escassez e a falta de água generalizada. Em nossas cidades, o lixo e a poluição são realidade a céu aberto. Sujas e fedorentas, nossas capitais, mesmo aquelas consideradas turísticas, refletem a pouca preocupação com o meio ambiente e com o futuro em comum. É nesse quadro, em que o caos é uma realidade anunciada, que prosseguimos indiferentes, fazendo cara de paisagem para a paisagem acinzentada, esquecendo do fato de que estamos no mesmo e desgovernado barco.
Leis existem em quantidade suficiente para coibir esses e outros abusos contra o patrimônio natural de todos. No entanto, parece ainda haver lugar para uma lei simples, mas que tem sido deixada de lado todo esse tempo. Uma lei que obrigasse cada indivíduo a se responsabilizar diretamente com as futuras gerações. Ou é assim, ou corremos o risco de não termos futuras gerações.
colunadoaricunha@gmail.com
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