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A plenitude da lei é o amor

| 08/09/2017 - 21:30

A plenitude da lei é o amor

O capítulo 18 do Evangelho de São Mateus sublinha a vida de comunidade. Na comunhão entre irmãos se manifesta o amor que assume o outro na sua plenitude, com luzes e sombras. Ninguém é perfeito, todos estão em construção. Assim aconteceu com os discípulos de Jesus de todos os tempos. Porque a comunidade se reúne em nome do Pai e do Filho e do Espírito.
A comunidade de Jesus é uma comunidade normal, onde há tensões entre os diversos grupos e problemas de convivência: há irmãos que se julgam superiores aos outros e que querem ocupar os primeiros lugares; há irmãos que tomam atitudes prepotentes e que escandalizam os pobres e os débeis; há irmãos que magoam e ofendem outros membros da comunidade; há irmãos que têm dificuldade em perdoar as falhas e os erros dos outros. O texto nos apresenta um “modelo” de comunidade para os cristãos de todos os tempos: a comunidade de Jesus tem de ser uma família de irmãos e irmãs, que vive em harmonia, que dá atenção aos pequenos e aos débeis, que escuta os apelos e os conselhos do Pai e que vive no amor.
Neste ambiente comunitário, Jesus exorta seus discípulos à prática da correção fraterna que deve ser associada à caridade. A comunidade se destaca por estar reunida ao redor de Jesus, por isso é uma comunidade movida pela fé: “Pois onde há dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. A correção fraterna nunca será fácil de ser exercida e a sua prática exige que as pessoas vivam uma verdadeira dimensão fraterna, feita de estima, confiança, respeito, afeto sincero e amizade, buscando o mesmo ideal: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos”.
Reunir-se em nome de Cristo é criar um espaço para viver a vida inteira em torno dele e a partir do seu horizonte. Um espaço espiritual bem definido, não por doutrinas, costumes ou práticas, mas pelo Espírito de Jesus que nos faz viver como ele viveu. Nossas fraquezas e debilidades não devem ser empecilhos para caminhar juntos na direção do amadurecimento de nossa fé. Quando assumimos nossas diferenças como riqueza, com suas alegrias e tristezas, mas unidos pelo mesmo ideal, nos sentimos mais fortes e tolerantes uns com os outros. O amadurecimento da fé é associado ao crescimento humano. Por isso nossa preocupação deveria ser cuidar, consolidar e aprofundar em nossas comunidades e paróquias este espaço dominado por Jesus. A renovação da Igreja começa no coração de dois ou três que se reúnem em nome de Jesus.
Na comunidade cristã somos responsáveis uns pelos outros. Amar alguém é não ficar indiferente quando ele faz mal a si próprio; por isso, amar significa, muitas vezes, corrigir, admoestar, questionar, discordar, interpelar. A atitude de correção fraterna não seja guiada pelo ódio, pela vingança, pelo ciúme, pela inveja, mas seja guiada pelo amor. A lógica de Deus não é a condenação do pecador, mas a sua conversão; e essa lógica devia estar sempre presente, quando nos confrontamos com os irmãos que falharam. É essa dinâmica que constrói comunidades vivas que ajudam na edificação de um espaço onde todos sejam respeitados.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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