Cultura

Musicista Samuel Martinelle, de Toledo para Nova Iorque

| 11/08/2017 - 21:50

Musicista Samuel Martinelle, de Toledo para Nova Iorque

É sabido, e mesmo notório, que a Gazeta de Toledo, como um dos mais importantes veículos de comunicação da região, tem por hábito reconhecer e noticiar o que de melhor à cidade de Toledo produz (e o que de melhor a cidade tem são seus cidadãos). Pensando nisso, a página de Cultura pretende, a partir de hoje, prestar uma homenagem aos toledanos que se tornaram cidadãos do mundo. Queremos que nossos leitores saibam quem são as pessoas que deixaram para trás o Oeste do Paraná e hoje estão brilhando em outras partes do planeta. Nosso primeiro ouro da casa é o musicista Samuel Martinelle, depois vem a modelo internacional Victoria Schons, o fotografo Digo Cogo que Paris acolheu e um dos maiores engenheiros mecânico da Ferrari chamado Fernando Grando.
Esse é o início de uma série de reportagens que mostrará como hábeis pessoas estão conquistando, com muita garra, suor e talento, o seu lugar ao Sol, mesmo estando o astro-rei reluzindo nos longínquos céus de lugares como Nova Iorque, Buenos Aires, Zurique, Milão, Paris, Irlanda, Espanha entre outros pontos do mapa-mundi. Nossa intenção é resgatar e trazer de volta a Toledo histórias de sucesso para que seus protagonistas sejam por nós conhecidos e valorizados. Para todos surgem oportunidades de estudos, de trabalhos e de desenvolvimento ao longo da vida, mas alguns precisam ir longe para alcançá-las. Foi o que aconteceu com o jovem músico Samuel Martinelli, personagem principal de nossa primeira edição da página Ouro da Casa. Proveniente da família Martinelle, de Toledo, ele adotou o sobrenome artístico Martinelli, cuja sonoridade e pronúncia soam melhor no idioma inglês, já que o percussionista vive hoje na cidade mais cosmopolita do mundo: Nova Iorque.
Para que nossos leitores tenham a oportunidade de conhecer o trabalho e a ascensão deste toledano, que em nossa cidade deu seus primeiros passos rumo a uma carreira internacional, será necessário relembrarmos o princípio da trajetória do instrumentista, que ainda na infância teve seu primeiro contato com a musicalidade. Filho do casal Eloi e Roni Martinelle, Samuel conversou com a Gazeta de Toledo e nos informou que não tem conhecimento sobre alguém de sua família que antes dele tenha estudado música. Contudo, sua memória o remete à infância e evoca a época em que os pais estiveram envolvidos com música na Igreja Evangélica que freqüentavam. Sua mãe cantava na Igreja e seu pai participava do coral, o que o influenciou, assim como a sua irmã, a conhecer melhor o universo da música (ambos chegaram a estudar essa linguagem artística, mas a irmã, apesar de apreciar música e de aprender a tocar violão, não prosseguiu com os estudos musicais e enveredou-se por outro caminho).
Afinidade e talento: como foram os primórdios
Como viram no filho a afinidade com a música, o casal Martinelle tratou de colocá-lo para fazer aulas de piano com a professora Rosângela Clivatti. O instrumentista lembra que por volta de seus 9 anos de idade começou a estudar na casa da própria professora, inicialmente aprendendo a tocar piano e passando depois para o teclado. Embora se recorde com carinho desse período, ele não demonstrou tanto interesse em continuar com o curso e interrompeu os estudos um ano após iniciá-los (apesar de dar uma pausa no ensino musical naquele momento, Samuel chegou a apresentar-se em um recital – sua primeira aparição artística em público – em que tocou piano em uma churrascaria localizada defronte a rodoviária). Hoje ele faz uma análise de que a tenra idade não despertou seu interesse em estudar música e que, somado a isso, ele provavelmente não havia encontrado um instrumento que o motivasse, pois não fora o piano e nem o teclado que o cativaram.
Seu gosto por outro instrumento viera mais tarde quando simulava baquetas e brincava que estava tocando bateria. Esse foi o instrumento que se confirmou como sua paixão e por volta dos 14 anos, o menino deixou de brincar de baterista para efetivamente estudar bateria. Através de um amigo que realizava o aprendizado em uma escola de música, Samuel foi levado à Guitar & Drums, que se situava ao lado do Colégio La Salle. “Eu lembro que na época tinha muita gente estudando guitarra, bateria e contra-baixo... haviam muitas bandinhas de Rock and Roll em Toledo e aquela era, na época, a única escola que tinha esse tipo de ensino, enquanto as outras escolas estavam voltadas para a música clássica”, recorda o percussionista, que prossegue com suas memórias. “Eu comecei a fazer aulas de bateria lá com o professor Jean Gavião e sinto que o que ajudou a fazer me interessar pela música foi tocar. Eu tocava na Igreja e tocava nessa escola, a Guitar & Drums, que fazia recitais todo final ano e a gente se preparava o ano todo pra apresentar uma música e gravávamos em um estúdio que havia na escola (o que era muito bacana). Lá eu fiquei amigo de três dos professores: o Jean Gavião, que dava aulas de bateria, o Alex Marques, guitarrista, e o Luciano André, que lecionava contra-baixo”.
O baterista, hoje com a carreira consolidada no meio musical, não tinha até aquele momento pretensões de se tornar um profissional. A música para ele era um hobby e na época Samuel foi aprovado no vestibular e passou a estudar no curso de Engenharia Química da UNIOESTE – Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Mas o tempo foi passando e a música o acompanhando. Nessa fase de sua trajetória ele se apresentava na cidade, ao lado dos amigos professores, que foram seus parceiros nos primeiros shows.
A decisão que mudou sua carreira
Como universitário sua dedicação ao curso de Engenharia Química transcorria normalmente, até que o espírito artístico de Samuel falou mais alto e ele tomou uma decisão que promoveu uma guinada em seus planos. Após concluir o primeiro ano de graduação na UNIOESTE, a família Martinelle foi surpreendida com a notícia dada por aquele a quem todos imaginavam formando-se em Engenharia. Corria o ano de 2004 quando o instrumentista, e agora ex-futuro Engenheiro, anunciou que estava abandonando o ensino superior (nesse momento ele estava tomando a decisão de que queria ser músico e assumindo a responsabilidade de se dedicar ainda mais à bateria). Decidido a continuar com a música, ele intensificou sua entrega ao instrumento que tanto o fascinava e, mesmo sem perspectiva de se profissionalizar, foi trabalhar com o pai que é Corretor de Seguros, enquanto continuava estudando bateria.
Por uma dessas coincidências da vida, seus amigos, professores e parceiros de música se separaram e agora davam aula em duas escolas musicais distintas. Foi quando Samuel, já experiente e maduro na bateria, recebeu o convite para dar aulas do instrumento na nova escola que Alex Marques e Luciano André montaram na cidade, a Efraim. Desse modo, ele lecionava, tocava e se envolvia em eventos da área, até que no ano seguinte, em 2005, ele foi à Cascavel participar de um tradicional Festival de Jazz promovido no município vizinho, e na ocasião um novo olhar sobre a música se descortinou à sua frente.
Paralelamente às apresentações que ocorriam no Festival, eram realizadas palestras e workshops com pessoas que vinham de São Paulo e de Curitiba. Um dos convidados para o evento foi Paulo Braga, músico renomado que chegou a ser o principal baterista do Tom Jobim. “A visita do Paulo Braga à Cascavel foi muito importante para mim, pois ele me mostrou algumas coisas da Música Brasileira que eu não conhecia. Eu não gostava da idéia de trabalhar com bandas de baile e também não conhecia muito da Música Brasileira, pois em Toledo não existia esse cenário musical. O que mais tínhamos em Toledo eram bandas de rock, mas eu não me sentia um roqueiro”, esclarece Samuel e acrescenta que “fui me aprofundando na música e as coisas foram acontecendo, se somando. Até que ocorreu algo importante: fui descobrindo que eu podia ser um músico profissionalmente, que podia viver de música”.
Apesar da experiência adquirida na Efraim, a escola encerrou suas atividades e fechou as portas. Mas a breve passagem do baterista por ela, como um de seus professores, renderia ao percussionista uma surpresa. Samuel tivera a oportunidade de dar aulas para o filho de Jocimar Silva, músico, professor e cantor lírico que no passado havia feito parte da Ópera do Teatro Guaíra, em Curitiba. Um dia o percussionista e o pai de seu ex-aluno se reencontraram e ao baterista foi perguntado se continuava a lecionar, quando em resposta pôs-se a lamentar. “Eu lhe contei que a escola tinha fechado que eu estava sem perspectiva, que não sabia para onde ir, e em resposta ouvi de Jocimar (profissional de música, cantor experiente que conhecia gente da Europa e do mundo todo) que era preciso sair de Toledo e ir para um grande centro para poder estudar”.
Enfim, o divisor de águas
Quando as pessoas objetivam alcançar alguma meta, é necessária obstinação e muito trabalho. E isso é o que vemos na história de Samuel Martinelli, um jovem encantado pela música, que queria fazer dela sua profissão. Para isso teve que se esforçar, estudar bastante e agarrar as oportunidades que lhes surgiram. Um dessas oportunidades veio através do também músico Jocimar Silva, que já não residia mais em Toledo e havia se mudado para Cascavel. Ele reencontrou-se com o baterista e vendo sua desilusão por não conseguir tirar da música seu sustento lhe fez uma proposta. “Eu vou te dar um trabalho em Cascavel, para você dar aula comigo lá em algumas escolas. Você precisará trabalhar em Cascavel e estudar em Toledo, onde terá aulas com o professor Darcysio Fritsch na Casa da Cultura. E quando estiver em Cascavel eu aproveitarei para te dar aulas de teoria musical. Vou te preparar para o vestibular e quando chegar o momento, você vai estudar em Curitiba”. Contando com alegria essa passagem de sua trajetória, Samuel revela que esse foi o divisor de águas que transformaria por completo sua vida.
De início o jovem Martinelli achou que seria difícil idealizar a proposta que recebera afinal ele ainda morava com os pais, precisava de um emprego e, principalmente, precisava que a família o apoiasse nesse novo desafio. Compreendendo sua preocupação, o professor Jocimar foi até sua casa e disse aos seus pais: “O Samuel possui talento, tem futuro na música e precisa ir para Curitiba estudar. Eu tenho contatos lá pra ele poder trabalhar e enquanto isso ele vai estudando. Até lá, ele vai passar alguns dias da semana comigo em Cascavel”. Eloi e Roni Martinelle reconheciam o talento do filho, e se esse era o caminho que ele escolhera para trilhar, coube-lhes apoiá-lo.
Assim, estudando teoria e prática musical enquanto dava aulas o talentoso percussionista foi se preparando durante o período de um ano, até que em 2008, quando estava com 20 anos, passou no vestibular para cursar Musicoterapia na Faculdade de Artes do Paraná.
A ida de Samuel Martinelli, filho prodígio de Toledo, para Curitiba e sua permanência na capital paranaense, de onde sairia anos depois para conquistar o mundo, serão temas da continuação dessa matéria especial, que será publicada na próxima semana aqui, na página de Cultura da Gazeta de Toledo.
Fernando Baldi Braga

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