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Discursos sinceros e raros

| 25/07/2017 - 21:10

Ainda é ansiosamente aguardada pelos eleitores e cidadãos de bem deste país que ao menos um de seus representantes junto ao Poder Legislativo — sobretudo aqueles que, de alguma forma, têm seus nomes citados nas diversas delações e escutas feitas com autorização da Justiça — tome lugar na tribuna e assuma, de uma vez e com coragem, a total responsabilidade por seus atos, quaisquer que sejam eles.
O que a população, em qualquer tempo e lugar, jamais tolera é a covardia, o medo e a mentira. Dificilmente escaparia à empatia da opinião pública aquele indivíduo que, sem temor e de forma sincera, reconhecesse seus erros, vergasse a coluna e abrisse mão de suas funções e prerrogativas especiais e na contrição do recolhimento, aguardasse as punições devidas ou a declaração formal de sua inocência.
O destemor e a esperteza, encontrados em muitos políticos citados nas atuais investigações para delinquir e obter vantagens indevidas, desaparecem, como mágica, quando apanhados ou flagrados pela lei. Postos em confronto com diálogos absolutamente comprometedores, até agora, nenhum de nossos representantes legais fez um mea-culpa e se pôs a disposição e aberto para as consequências de seus atos. Talvez, faltem aos implicados no megaesquema de corrupção, justamente, a coragem dos homens de bem que não fogem à responsabilidade e, de antemão, recusam vantagens de qualquer tipo e em qualquer condição.
O que a população está aprendendo nesses tempos sombrios, de forma dura e com altos custos para todos, é que a covardia e o medo da Justiça são um atributo comum aos corruptos. A todos eles. O corrupto é, antes de tudo, um covarde, a quem falta, de saída, o desassombro para evitar e dizer não ao caminho fácil dos lucros mal explicados.
Dizer-se vítima de armações maquiavélicas e outras afirmações do gênero, que procuram passar a ideia de que acontecimentos ciclópicos e inevitáveis arrastaram a todos igualmente, além de pouco críveis, despertam no ouvinte, principalmente no eleitor consciente, a certeza de que a aposta feitas nesses candidatos foram vãs e até mesmo nefastas.
Discursos sinceros são o que interessa e o que mais fazem falta neste momento. Um dia, quando forem escritas e contadas às futuras gerações a história desse nosso tempo turbulento, restarão abertas e vazias as razões que levaram tantos a cometerem tantas desídias. Em seu lugar ficarão as inúmeras e fantasiosas desculpas, transformadas doravante em verdadeiros manuais do anedotário e da enganação política.
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