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Pecuarista não tem alternativa de venda a JBS e amargam prejuízos

| 19/05/2017 - 21:30

Pecuarista não tem alternativa de venda a JBS e amargam prejuízos

Realizando somente compras no prazo com 30 dias e sendo a única unidade de abate em muitas regiões do país, pecuaristas estão sem alternativa de venda a JBS e amargam prejuízos.
“Em grande parte dos estados ainda há capacidade de suporte por mais 30 a 40 dias. O problema é que temos os custos fixos e precisamos vender”, lamenta o pecuarista, Marcos da Rosa, que possui propriedade na região do Alto Araguaia (MT).
“Com o que se vende hoje não é possível, se quer, fazer a reposição. O produtor usa parte do valor para saldar suas dívidas, e não repõe 100% do rebanho mesmo com a cotação do boi magro e bezerro caindo”, acrescenta Rosa.
No início da semana, os pecuaristas estavam pedindo antecipação dos pagamento a prazo, temerosos pela saúde financeira da JBS, envolvida em uma série de escândalos de corrupção. Já na quarta (17), a empresa informou a seus fornecedores a suspensão da compra de novos lotes à vista, obrigando os produtores solicitarem a antecipação do recebimento junto ao Banco Original [também pertencente à Companhia J&F, dona da JBS] mediante a cobrança da Nota Promissória Rural (NPR), no valor de 3,1% ao mês.
Embora as pastagens ainda permitam a manutenção do gado na fazenda com custo menor, muitos produtores já operavam no vermelho desde a operação Carne Fraca, em abril. O preço do boi gordo chegou recuar mais de 10%, recuperando parte das perdas de lá para cá, mas ainda abaixo do praticado no início do ano.
O problema é que além dos preços defasados do boi gordo, a recente volta da cobrança do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), e o desconto do NPR [caso queiram evitar o risco de receber no prazo], o setor se depara com a falta de opção de venda. No Mato Grosso, estado com maior rebanho, ao menos quatro regiões são dependentes das operações da JBS.
“Temos duas realidades hoje: uma dos produtores com propriedades localizadas em região de atuação exclusiva da JBS”, portanto, sem alternativa de abate além de receber a prazo, ou ter o desconto de 3,1%. E a outra, daqueles que “tem mais abatedouros nas mediações, porém que também não conseguem vender por falta de demanda”, explica Rosa.
Os meses de maio e junho são tipicamente conhecidos como ‘fundo de safra’, onde a aproximação com o inverno danifica as pastagens e ocorre a desova de animais. Por esse fator de maior oferta, e também porque a demanda caminha a passos lentos, as indústrias frigoríficas não tem interesse de absorver a demanda excedente dos que não querem vender para a JBS. A ordem nesse momento é evitar a formação de estoques e o derretimento nos preços da carne.
O pecuarista, portanto, se vê no olho do furacão. Temendo que a detentora de 1/4 da demanda nacional de abates tenha sua funcionalidade afetada pelas investigações, ao passo que também precisam entregar seus animais em valores pouco remuneradores, pela necessidade de liquidar os custos fixos.
A empresa
Apesar de toda preocupação em torno da JBS e seus riscos para economia brasileira, sobretudo a pecuária, muitos analistas tem se mostrado otimista frente à sobrevivência da empresa. Na visão do pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), Sérgio De Zen, embora as essas notícias depreciem o valor da Companhia, é possível separar neste momento as ações enquanto empresa, das atitudes isoladas dos irmãos Batista.
Nesta sexta (19) um conteúdo divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, informou que analistas e executivos de bancos com conhecimento dos números da JBS “vêem como baixo o risco de a companhia deixar de honrar pagamentos a seus credores no curto prazo.”
A JBS contaria com descolamento entre a imagem do conglomerado e de suas marcas no exterior, de onde vem sua maior fonte de renda, para blindar a operação e evitar queda nas receitas. Nos EUA é dona, por exemplo, da Pilgrim’s Pride, da Swift e agora da Plumrose.
No Brasil, o analista da MBAgro, César de Castro Alves, diz acreditar ser improvável que o setor de proteína animal passe a operar sem a JBS.
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