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“Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós.Vou enviar um defensor”

| 19/05/2017 - 22:00

No 6º Domingo da Páscoa, às vésperas da partida de Jesus, que retorna ao Pai, o texto evangélico retoma o tema do Espírito Santo. Ele é o criador, a testemunha, o advogado, o companheiro de viagem, o consolador que acompanhará os discípulos.
Estamos no contexto da última ceia de Jesus com os seus discípulos: lugar de intimidade em que Jesus revela a sua glória que acontecerá na cruz. Ali ele ensina e manifesta o seu amor pelos discípulos e pela humanidade inteira. Nós também somos convidados a sentar à mesa com Jesus para receber o seu mandamento e entrar junto com Ele na sua Paixão e Ressurreição.
Jesus promete que não nos deixará órfãos, o Espírito Santo estará conosco e será o nosso Defensor. Ele ensinará todas as coisas e acompanhará cada passo, cada atitude. O Espírito de Deus vem como força do alto para auxiliar o testemunho dos apóstolos e o nosso.Os seguidores de Jesus, depois da Páscoa, fizeram uma experiência viva e intensa do Espírito Santo como consolador, defensor, aliado, nas dificuldades externas e internas, nas perseguições, nos processos, na vida cotidiana. Nos Atos dos Apóstolos lemos: “A Igreja crescia e caminhava no temor do Senhor, cheia de consolação do Espírito Santo” (At 9,31).
O amor a Jesus se manifesta no amor aos irmãos. Este é o mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”; é a nossa identidade como discípulos missionários. O amor a Jesus nos coloca diretamente relacionados à observância dos seus mandamentos: se não há observância dos mandamentos, significa que não amamos Jesus. O dom do Espírito Santo, da parte do Pai, é fruto deste amor e sua observância: amor e obediência.
“Bendito seja Deus” – escreve São Paulo – “Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai compassivo e Deus de todo consolo, que nos consola em qualquer tribulação, para que nós, por força do consolo que recebemos de Deus, possamos consolar os que sofrem qualquer tribulação” (2Cor 1, 4). Nós devemos ser como paráclitos para nossos irmãos, pessoas que sabem aliviar a aflição, confortar a tristeza, ajudar a superar o medo e dissipar a solidão.
Estamos prestes a celebrar a Ascensão do Senhor e Pentecostes (nos próximos domingos). Vamos transformar estes dias em uma preparação humilde e sincera, lendo, cada dia, uma pequena passagem nos capítulos 14-17 do Evangelho de São João. O capítulo 17, em particular, uma longa oração que Jesus faz ao Pai em nome dos discípulos, pode dar-nos boas razões para reafirmar nossa confiança: a oração de Jesus é o fundamento da nossa esperança.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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