Artigos

É urgente um novo Brasil

| 17/05/2017 - 20:40

Entre as mil incertezas sobre o Brasil de hoje, uma certeza começa a abrir caminho: algo está morrendo definitivamente no mundo da política. E depois? Mais difícil é profetizar que novo Brasil nascerá de seus escombros.
Os responsáveis por analisar o que está acontecendo neste país continente, que já parecia ter chegado ao futuro e descobriu que estava andando para trás, deveriam convocar os especialistas em tendências para analisar o que começa a aflorar de novo.
Os analistas políticos e os intelectuais mais lúcidos já falam que é necessário dar vida a uma República nova, ou reinventar o país. É a confissão de que o que existe hoje, da concepção do Estado à forma de governá-lo, está esgotado.
Sem dúvida, já existem vários Brasis. O de uma geração de políticos, de todas as tendências, presentes em todos os partidos, que esgotou sua imaginação para reinventar a política que transformou em um negócio, e o da nova geração que não se conforma em continuar sofrendo sob os escombros e quer começar a construir algo novo.
Hoje ninguém é capaz de dizer se o novo que deverá nascer será melhor do que o que agoniza. E é difícil imaginar quem poderá ser o arquiteto do Brasil novo. O que é certo é que não parece existir a possibilidade de voltar atrás, ou de permanecer vegetando no velho sistema em crise.
A literatura mundial sempre proporcionou à humanidade frases que atravessaram os séculos pela força do seu simbolismo, e que continuam nos alimentando até hoje. A literatura bíblica também nos deixou algumas afirmações que permanecem atuais, como a resposta que o profeta judeu Jesus deu a um daqueles que queriam segui-lo em sua aventura de reinventar o judaísmo e libertá-lo da sua carga farisaica. O jovem pediu ao Mestre, antes de segui-lo, para ir enterrar seu pai. Jesus respondeu: “Deixe que os mortos enterrem os mortos” (Mt.8.21ss).
Quando os tempos urgem e as circunstâncias históricas já não se sustentam, não há tempo para compromissos, para esperar para ver se a tempestade passa, se a Lava Jato acaba, se as novas eleições absolverão os corruptos. São mortos-vivos.
É preciso deixar para trás o que não tem mais valor. Mortos são os que desejam se conformar com o status quo, os que preferem um compromisso para continuar em cena a qualquer preço. Vivos são os que sabem que os remendos não servem, os que compreenderam que “não se remenda uma roupa velha com um pano novo”.
Não é a política que está morrendo aqui e em metade do mundo, porque sem ela não há democracia e nos degolaríamos vivos. Seria como voltar para a floresta. O que está morrendo é uma maneira de governar de costas para a sociedade, pensando apenas em tirar proveito dos privilégios que o poder oferece.
Se os partidos e seus responsáveis não entendem isso e pensam que tudo pode continuar como estava com uma simples plástica para parecer novo, é melhor que percam suas ilusões. Nada de realmente novo poderá surgir sem um diálogo franco e aberto com a sociedade, com toda.
Uma sociedade que hoje está dividida e que também precisa deixar que os mortos enterrem os mortos. Para tanto, é urgente alguém que em vez de inflamar o fogo da discórdia, se mostre como pacificador.
Mais do que um Trump, criador de conflitos, o Brasil parece necessitar de um Mandela, que foi capaz de convencer seu país, dividido e confrontado entre brancos e negros, a abandonar a arma do ódio para empunhar a do diálogo e da persuasão capaz de criar uma nação nova.
JUAN ARIAS
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Artigos'

Dados e pessoas: os bens mais valiosos da sua empresa

Democracia sem povo

Não há cidade inteligente sem cidadãos empoderados

Bem-aventurada aquela que acreditou

Não é ajuste fiscal! É a destruição do serviço público que vai afetar a vida de todos os brasileiro

De Heus veio agregar valor à produção agro do Oeste do Paraná

Sua história não é feita de boletos pagos, mas sim de experiências vividas

As consequências dos desajustes

Será que os alunos querem as Metodologias ativas?

Senhor, é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face!

Mais Destaques

Cultura

Empreendedores culturais recebem atenção dos governos estadual e federal

Geral

Acit estágios e currículos integra evento Pig Data 2017

Cidade

Alunos e familiares do Florir Toledo aprendem decoupage

Esporte

Atletas da Sadia participam de treino controle na Bulgária para o Mundial de Pesaro

Economia

Governo não inclui Itaipu e Eletronuclear na desestatização da Eletrobras

"O número de acidentes no trânsito de Toledo cresceu 28,5%, no comparativo entre janeiro deste ano e o mesmo período do ano passado, de acordo com dados pela PM (ver gráficos). Toledo está na contra-mão do estado que, reduziu em 23% os números nos mes"
(Redação)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)