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Jesus: caminho, verdade e vida

| 12/05/2017 - 22:30

O texto do Evangelho deste domingo faz parte do longo discurso de despedida de Jesus narrado por São João. O contexto revela as preocupações dos discípulos devido à partida (= morte) de Jesus. Nos primeiros versos, é apresentada aos discípulos a meta da viagem realizada por Jesus e que, mais tarde, será o destino dos próprios discípulos: a comunhão plena na casa do Pai. Estar no mesmo lugar que está Jesus é a meta de todos que têm fé e se tornam seguidores de Jesus. Ali todos serão libertados do medo e se abrirão a uma vida de esperança. “Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar um lugar para vós”.
A partida de Jesus provoca nos discípulos apreensão e preocupação: “O que faremos sem ele?” Como vamos conseguir dar continuidade a obra de Jesus sem a sua presença nos confortando, ensinando? São questões que ainda hoje fazemos em nossas comunidades. Só a fé em Jesus pode sustentar o caminho e os desafios que traz. A falta de fé fez e faz o discípulo abandonar o Senhor e a comunidade. É a fé que permite ver um sentido novo em todas as coisas e acontecimentos.
Jesus conviveu com seus discípulos durante três anos e eles o viram ensinar, conversar e acolher as pessoas. Por isso ele fala “Vocês sabem o caminho aonde eu vou”. Tomé, com seu senso realista e prático de sempre, protesta: “Senhor, não sabemos para onde vais, então como podemos saber o caminho?” Ele está claramente pensando em termos geográficos. A resposta de Jesus é desafiadora: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Para chegar ao Pai é necessário seguir os passos de Jesus: amar como ele amou o Pai e a humanidade. Jesus se oferece como o caminho que devemos percorrer para entrar no mistério de Deus Pai. Só Ele pode desvendar o mistério último da vida. Ele pode comunicar a vida plena pela qual tanto anseia o coração humano.
Através dos diálogos, o evangelista São João revela a missão de Jesus e a dificuldade que os discípulos têm para compreendê-la. A compreensão plena só virá com o Espírito Santo em Pentecostes. Agora é a vez de Filipe se manifestar: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. A resposta de Jesus revela que Ele é o Filho querido do Pai: “Quem me viu, viu o Pai”. A vida de Jesus, sua bondade, sua liberdade para fazer o bem, sua capacidade de perdoar, seu amor pelos pobres revelam o amor do Pai: “Eu o Pai somos um”. “O Pai que está em mim realiza suas próprias obras”.
Por fim, Jesus tem uma palavra também para nós. Sua volta ao Pai implica em colocar nas mãos dos discípulos a continuidade de sua missão. Também nós somos enviados em missão para continuar a obra de Jesus: fazer com que a Igreja se “pareça” com Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Esta é a boa nova para nós hoje.
Neste Ano Mariano, pedimos que Nossa Senhora Aparecida abençoe todas as mães. Que elas continuem sua missão de gerar, acolher e mostrar o caminho de Jesus, para que todos tenham vida e vida abundante. Amém!
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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