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Ética de classe

| 11/05/2017 - 22:00

Muitos confundem sistematicamente o que venha a ser ética e o que advém a moral. Diferentemente do que se conjugam, ética não é sinônimo de moral. São adjetivos de raízes dessemelhantes.
Toda cultura e cada sociedade estabelece uma moral; isto é, valores relativos ao bem e ao mal, ao lícito e o ilícito, o comportamento digno e indigno, verdadeiro para todos os seus membros. Culturas e sociedades, intimamente hierarquizadas e com diferenças de classes muito densas, podem até mesmo possuir diferentes morais. Cada uma delas aludida aos valores de uma classe social. No entanto, a pueril existência da moral não significa o aspecto explícito de uma ética.
A compreensão da ética tem em suas características essenciais alguns valores insubstituíveis em sua ação como: consciência, liberdade, autonomia e responsabilidade. Não pode sob nenhum aspecto sofrer coação, constrangimento ou adestramento.
A ética está umbilicalmente associada à formação do caráter do indivíduo.
No Brasil temos grupos sociais distintos com suas éticas classistas, e nossas elites patrimonialistas que têm suas raízes na escravatura, no coronelismo, e no senhoril, se utilizam de seus aparelhos “monopólios midiáticos ideológicos” cuja utilidade é converter uma verdade de classe num senso comum, assimilando para as classes subordinadas ao seu adestramento, exercendo seu papel de propagandear sua ideologia. Embutem sua ética seletiva, hipócrita, não inocente de seus interesses impudicos numa ação de ética classista.
Adeptos da meritocracia e despolitizados, a classe media brasileira inconformada de ser pertencente à classe trabalhadora, ambiciona desesperadamente ser parte do clube seletos dos donos do capital, retransmissores inconscientes da ideologia “ética seletiva e classista”. São escravas de sua ignorância e de seus complexos e preconceitos.
Já as classes oprimidas brasileira, historicamente cerceadas de sua existência digna, sofrem todo tipo de coação, repressão, constrangimento e manipulação. Domesticadamente educadas, a assimilação de sua condição de exploradas não alcançaram sua autonomia necessária para uma justa reflexão, pois as forças repressivas, veladas ou abertamente, não titubeiam em seus açoites.
Esse é o retrato da ética de classe no Brasil, onde nos impõe uma ética comportamental de adestramento e de subordinação escravagista.
Carregamos intuitivamente por nossas raízes o conceito do “Doutor”, do “sim, Senhor”, do coronelismo mais arcaico.
Somos reféns da moral imposta, do costume torpe da indignidade social, de uma ética amoral em suas ações clássicas.
Este é o país da hipocrisia, da seletividade, da moral dos imorais.
Henrique Matthiesen
Bacharel em Direito
Jornalista
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