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Eles viram o túmulo vazio e acreditaram

| 20/04/2017 - 22:00

“A paz esteja convosco” são as primeiras palavras que Jesus glorioso dirige aos discípulos reunidos. Ao lado da paz vem o perdão. Surge uma nova comunidade da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar à humanidade a vida nova que brota da ressurreição.Jesus, vivo e ressuscitado, é o centro da comunidade cristã; é ao redor d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os discípulos encontram as provas de que Jesus está vivo.
Depois da morte de Jesus, os discípulos experimentaram a solidão. O medo tomou conta deles a ponto de se fecharem por temor dos judeus. Tinham vivido três longos anos com o Mestre, mas não conseguiram entender que Jesus havia ressuscitado. O modo de pensar deles era ainda muito superficial. Vendo Cristo impotente e morto na cruz, eles esqueceram tudo o que Jesus dissera e ficaram com medo: “Eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16,22). “Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. Tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).
Como é que se chega à fé em Cristo ressuscitado? São João acentua que podemos fazer a experiência da fé em Cristo vivo e ressuscitado na comunidade dos que partilham a mesma fé, a Igreja, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor do Senhor. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si mesmos (está fora) e que não fazem caso do testemunho da comunidade, nem percebem os sinais de vida nova que nela se manifestam. Tome, em lugar de se integrar e participar da mesma experiência, pretende obter (apenas para si próprio) uma demonstração particular de Deus.
Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade sete dias depois: “Meu Senhor e meu Deus!”. O diálogo de Jesus com Tomé nos permite compreender que se chega à fé no Cristo Ressuscitado através do testemunho da comunidade: “Vimos o Senhor”. Só se chega à experiência do Ressuscitado mediante o testemunho. No “dia do Senhor”, domingo, Tomé se encontra novamente com a sua comunidade. Juntos celebram a Eucaristia. É no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado que se descobre Jesus ressuscitado.
No dia 30 de abril de 2000, canonização de Santa Maria Faustina Kowalska, o Papa João Paulo II declarou: “Em todo o mundo, o segundo domingo da Páscoa receberá o nome de “Domingo da Divina Misericórdia”, um convite perene ao mundo cristão para confiar na Divina Misericórdia: a relação da humanidade com Deus suscita entre nós novas relações de solidariedade fraterna.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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