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O Pai dos céus conhece as nossas necessidades

| 25/02/2017 - 00:01

Estamos mais uma vez com Jesus no monte ouvindo as bem-aventuranças; elas são o fundamento da pregação de Jesus e também o programa que ele vai seguir a partir de agora para realizar a sua missão de realizar o plano de salvação do Pai através da implantação do Reino dos Céus. A proclamação das bem-aventuranças provoca desconforto nos ouvintes. Jesus coloca Deus como garantia última da felicidade humana. Aqueles que seguem este programa de vida serão consolados, ficarão saciados de justiça, alcançarão misericórdia, verão a Deus e viverão eternamente em seu reino. Mas tudo isso implica em optar pelo caminho de Jesus e buscar constantemente a conversão contrariando a natural tendência do ser humano de buscar seus próprios interesses, colocar o bem-estar como único caminho de felicidade.
Hoje escutamos as palavras de Jesus: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro!”. É uma questão de opção radical de vida: a liberdade plena que se encontra em Deus ou a escravidão de uma vida centrada somente na busca do dinheiro e tudo o que ele traz? Aqui não se fala daquele dinheiro que garante o sustento de cada dia e é o pagamento justo pelo nosso trabalho e é necessário para uma vida decente e humana. Este dinheiro justo tem a ver com o pão cotidiano que Cristo mesmo nos ensinou a pedir ao Pai do céu. Não se trata do dinheiro que serve à vida, mas da atitude fundamental em transformar o dinheiro em um deus que escraviza e que se torna o fim de nossa existência, de modo, que não há lugar para Deus. “Não vivais preocupados” é o apelo que Jesus faz seis vezes no texto. Colocar a vida nas mãos do Pai é confiar na sua providência que oferece tudo gratuitamente e nos liberta de todo mal, enquanto os ídolos nos escravizam e exigem sempre mais.
Da busca desenfreada pelo dinheiro e bens materiais nasce um novo deus para o nosso tempo: o consumismo. Ele penetra em nós de forma sutil e vai criando necessidades cada vez maiores. Sem perceber as pessoas vão se tornando escravas de si mesmas e se fecham neste círculo vicioso. Daí vem Jesus nos desafiar: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”. Este apelo à confiança em Deus não é um convite ao comodismo ou passividade, mas uma exigência de viver a vida a partir dos valores do Reino de Deus; é uma questão de fé! Peçamos que o Pai nos conceda a liberdade e a autonomia diante dos bens deste mundo.
Daqui a três dias vamos celebrar a Quarta-feira de Cinzas e iniciar o tempo litúrgico da Quaresma. Dia de jejum e abstinência. Tempo propício para rever nossas atitudes e direção de nossas vidas; tempo que vai exigir de nós conversão, humildade, silêncio, oração, caridade fraterna como preparação para celebrarmos com alegria uma vida nova na Páscoa.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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