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Prefeito Beto avalia mandato e também espera apoio do Estado

| 31/12/2014 - 00:01

Prefeito Beto avalia mandato e também espera apoio do Estado

Em quase uma hora e meia de entrevista aos jornalistas desta Gazeta, Eliane e Paulo Torres, às vésperas do Natal, o prefeito de Toledo fez uma avaliação dos seus dois primeiros anos de governo e uma projeção para o futuro, incluindo investimentos como o aeroporto regional, saúde, educação, entre outras áreas preparando o município para o Toledo do futuro, mantendo a atual qualidade de vida. Veja a seguir:

Gazeta de Toledo: Qual a sua avaliação dos dois primeiros anos de governo?
Beto Lunitti: Nós fazemos uma avaliação positiva. É bem verdade que os primeiros seis meses foram de adaptação e coincidiu que dentro da gestão pública e pela condição de normativas do próprio Tribunal de Contas sofremos alterações profundas sobre a forma de informação e de sistemas. Isso realmente nos trouxe um transtorno inicial, mas depois este problema foi superado e começamos a implantação do que tratou o nosso plano de governo. Estabelecemos nestes critérios de gestão as políticas humanas, principalmente nas áreas de educação, saúde, de assistência social, esporte, políticas da juventude e mulheres. Tivemos surpresas nas estruturas de escolas públicas e investimos na reestruturação. Estamos investindo nas escolas do interior, mesmo com poucos alunos. Você precisa fortalecer as escolas do interior, levar uma qualidade de vida através das rodovias, conservação de estradas, acesso à internet, levar este conforto para o interior.
Gazeta: A ampliação das áreas urbanas dos distritos é uma forma de estimular a permanência no interior?
Lunitti:Por isso que nós tomamos a decisão de ampliar a discussão do Plano Diretor. Nós teríamos condições de discutir isso em 2016. Quando nós chegamos aqui eu compreendia que dentro da Secretaria de Planejamento teriam documentos em arquivos que norteassem um planejamento efetivo, tanto de economia quanto de urbanístico, mas não havia. Antecipamos a discussão do Plano Diretor, a ampliação dos perímetros urbanos da sede e dos distritos. Se você dota os distritos como centros urbanos e leva as políticas urbanas, você reflete um desejo dos moradores de ir para os distritos e dos moradores de lá permanecerem. Isso sim motiva as pessoas em morar nestes locais mais afastados.
Nós tivemos um olhar efetivo para Novo Sarandi. Não consigo fazer tudo o que estamos fazendo em Novo Sarandi em todos os distritos, mas lá estamos constituindo o desenvolvimento da economia, condições de habitação e políticas públicas de saúde e de assistência social e fortalecimento da educação.
Gazeta: Porque a prioridade a este distrito?
Lunitti:Lá foi olhado pelo aspecto inicial do desenvolvimento da economia e aspectos sociais. É um território com um índice elevado de alcoolismo, isso está constatado. Existia uma ausência de políticas públicas, hoje fortalecidas, embora ainda sem o salto necessário. Se você prioriza o aspecto econômico, gerando emprego e renda, estabelecendo um ambiente de positividade, você vai corrigindo estes problemas sociais que existem.
Gazeta: A saúde foi uma questão bastante debatida e criticada durante a campanha. O que o senhor conseguiu avançar nesta área?
Lunitti:Para quem olha de fora para dentro e reduz a problemática da saúde a um equipamento público de saúde, em especial os problemas históricos do Mini Hospital, tem uma visão que a saúde do município não teve avanços e é extremamente complicado. Se você se permitir uma análise mais apurada, ostensiva, de ações que foram executadas ao longo destes dois anos de governo, mostrou que o município não estava cumprindo com uma tarefa que é prerrogativa e obrigação sua, que é dar atenção básica à sua população. Potencializamos a Estratégia da Saúde da Família. Estamos com 11 equipes e mais 4 sendo avaliadas pelo Ministério da Saúde. Queremos chegar a 30 equipes até o final do meu governo. Quando assumimos, o IDSUS de 2010 apontava Toledo como uma das piores saúdes do Paraná. Melhoramos a atenção básica na prevenção de doenças, 47% da população à época tinha atenção básica à disposição. Com o esforço que fizemos, com o Mais Médicos e Provab, ampliamos o número de consultas e hoje 78% tem acesso à atenção básica, e destes, 80% têm resolutividade do problema na unidade básica de saúde. Imaginem se não adotados estes procedimentos, o que estaria acontecendo na urgência e emergência? Esta é uma tarefa que vamos seguir, é o foco do nosso governo, implantar a ESF numa visão diferente, de prevenir as doenças e cuidar da saúde das pessoas.
Gazeta: Este debate em torno da questão de saúde envolveu a região, pode-se dizer que se chegou a um modelo de desenvolvimento integrado da região na área da saúde?
Lunitti: Toledo sempre esteve disposto e não só neste, mas também nos demais governos, de contribuir para uma melhor condição da saúde na região. Não é a toa que é sede do Ciscopar. Toledo, sob o aspecto de estruturação regional, tem feito um papel importante e eu, agora como prefeito, estou potencializando isso. Quando nós discutimos a região, procuro discutir política pública de saúde e não colocar política partidária na discussão. Existem alguns conflitos, é bem verdade, que eu creio, depois desta reunião histórica de Assis Chateaubriand - onde ficou definido que Toledo conclua a obra do Hospital Regional e o estado aporte R$ 4 milhões em investimentos no Hospital Municipal, equiparmos o Hospital Regional em esforço conjunto com os deputados -, isso qualifica uma solução regional e Toledo está fazendo a sua parte.
Gazeta: Com esta decisão o HR está praticamente encaminhado?
Lunitti: Fomos a Brasília, temos notícias que os deputados estão nesta leva de final de ano indicando as emendas, algumas para 2015, mas o importante é que há um interesse coletivo na solução do problema, acho que se produziu um ambiente muito favorável a partir da decisão que eu tomei de chamar para a responsabilidade do município a conclusão do Hospital Regional.
Gazeta: Nesta discussão, qual o formato que o senhor vê da saúde regional dentro de cinco anos? A estrutura que ela irá contar vai atender as necessidades básicas?
Lunitti: Se você olhar, a rede hospitalar dos 18 municípios nos últimos 20 anos poucos investimentos teve, tanto nas estruturas privadas como aquelas que atendem o SUS, principalmente aqui em Toledo. Nós temos muito que avançar. Eu acho que as estruturas que têm que ser feitas no município não param apenas no Hospital Regional, na construção do Hospital Municipal, nas UBS, na entrega da obra do Ciscopar e na construção do terceiro e quarto blocos. Nós temos uma população de 400 mil pessoas e o ideal para uma população desta é que tenhamos à disposição mil leitos SUS. Hoje nós temos em torno de 450 leitos, veja a distância para atingir o ideal. Temos muito ainda a percorrer.
Também tem que ter profissionais que se dispõem a estar na região, com as suas especialidades. O que nós sofremos com a falta de pediatra, por exemplo. É uma situação que o SUS tem problemas, a iniciativa privada também. Entre os profissionais que se formam, poucos têm interesse de ir para esta vertente. Isso preocupa muito e necessariamente tem que envolver na luta para o curso de Medicina e agora esta novidade boa que apareceu que é o Campus da UFPR em Toledo. A formação de novos profissionais deve acontecer e também espero que o governo federal implante o Programa de Especialidades anunciado em campanha. Antes da Constituição de 1988 não se tratava de direitos universais. De uma hora para outra 80% da população entrou no atendimento direto gratuito na saúde publica. O Sistema SUS é um dos melhores do mundo, porém falta estrutura e recursos. Nos governos Lula e Dilma houve investimentos maciços no setor de saúde. Eu vejo que temos soluções, mas é com muito sofrimento e determinação.
A saúde da região vai ter o seu momento de qualificação do atendimento, demora um pouco, mas vai. É um nó que está desatando. Era um nó cego, quando assumimos, Conseguimos afrouxar. Agora, desatar e fazer um laço bonito e perfeito depende do interesse de todo mundo também.
Gazeta: Nesta questão da saúde o que se vê é uma soma de esforços de todos os municípios da microrregião em torno de um norte, de uma solução. É uma integração inédita que se percebeu. Existem outras áreas que apontam a necessidade de integração, como foi quando da duplicação da BR 467 – entre Toledo e Cascavel – agora com a duplicação da BR 163 em direção a Marechal Rondon. O senhor acha que isso pode ser direcionado para outras áreas, através de projetos de desenvolvimento integrado e de atração de novos empreendimentos em torno desta rodovia duplicada?
Lunitti: Acho que sim. Você fala em desenvolvimento integral, tanto econômico como social, mas vale dizer que Toledo tem tensionado o fortalecimento dos consórcios, como o Ciscopar, que atende expectativa de que foi criado, e o Consamu. Nós entramos em uma reunião achando que ele iria acabar, mas na grandeza do debate ele saiu fortalecido. Qual o protagonismo de Toledo? Fortalecer o consórcio, por isso levamos uma proposta que a gestão das UPAS fosse feita pelo Consamu, que é o local apropriado, que trata de urgências e emergências, esta proposta está sob a análise neste consórcio. O Programa Oeste Desenvolvimento é uma bela ferramenta, que reúne poder público e privado, o que é fundamental. O fortalecimento da região também passa por entendimento, como se contextualiza a economia regional. Temos 52 municípios do Oeste, todos são parecidos? Não. Existem microterritórios, dentro do Oeste. Cascavel em direção a Ibema é uma economia. Toledo em direção à Costa Oeste, é outra totalmente diferente, inclusive questões culturais. Agora vem esta atitude da Assembleia do ponto de vista de integração da região com a Região Metropolitana de Toledo. Parece-me que nos últimos tempos as ações estão conspirando positivamente para que haja um desenvolvimento integral. A compreensão que nós gestores públicos e a sociedade precisam ter, aqueles que têm a força do capital, é de que temos que desenvolver os nossos municípios, mas ter uma visão de complementariedade.
A duplicação Toledo Rondon vai desembocar em um novo corredor de desenvolvimento. A Região Metropolitana de Toledo, e espero que ela se contextualize na prática, daqui para a Costa Oeste, em direção ao Mato Grosso do Sul, pode se transformar em uma das maiores riquezas da América Latina.
Os aeroportos de Toledo e de Cascavel se viabilizam no conjunto. O aeroporto de Toledo tem suas características e demandas econômicas diferentes das de Cascavel. Os voos alternativos de Cascavel ao invés de ir a Foz vêm aqui, mais perto, com estrada duplicada, mais fácil, menos oneroso. Não existe concorrência entre estes dois aeroportos, existe uma ação de complementariedade.
O modal ferroviário, daqui a 15 anos, a tendência é de que este território, por força da atividade econômica, das organizações das instituições que norteiam a aglutinação dos empresários, a vontade dos poderes públicos de todos os municípios de crescer, certamente uma região altamente desenvolvida. O que nós precisamos é transformar o que produzimos, no setor agropecuário, e construir vertentes de outros setores tecnológicos.
Gazeta: Do aeroporto, o que tem de mais concreto, até porque é um projeto de médio e longo prazo e temos uma transição de governo? Isso está amarrado?
Lunitti: Estive com o ministro Moreira Franco, juntamente com a senadora Gleisi Hoffmann e com um consultor que está nos assessorando. Estava previsto um investimento para Toledo para aeronaves de porte ATR 42. Esta aeronave, segundo informações que nos foram repassadas, as companhias não estão mais querendo voar. Existem duas ou três operando. Queriam fazer um aeroporto para este tipo de aeronave. Nós fomos a Brasília - por isso tantas idas e vindas -, e oferecemos um novo modelo. Nesta última visita tivemos a notícia do ministro de que efetivamente a SAC acatou esta nossa oferta de um novo modelo.
Tem o problema do TCU, que entrou no circuito por conta da proximidade dos aeroportos, mais uma barreira que vamos vencer e tenho plena certeza disso. Nós temos o caso de Toledo, Francisco Beltrão e Pato Branco, e várias partes do país em que as economias são próximas e é natural que os prefeitos defendam a implantação de um aeroporto em seu município, como é o nosso caso. Vai ser feito um convencimento ao TCU, através de estudo de viabilidade econômica e demanda, que a UFSC vai executar a partir de janeiro. Dentro deste contexto, temos que colocar o tempero político dentro disso tudo. Não é o determinante, mas ele precisa existir. Por isso, fui também no Ministério de Relações Institucionais, com o ministro Ricardo Berzoini, que é parede e meia com a presidente Dilma. Nós somos um município com estas características e este prefeito esteve sempre no campo político deste governo, na defesa deste modelo de gestão para o país e nós também queremos um tratamento à altura, conforme posicionamento que se teve, já que no estado não temos o apoio que esperamos. Na diplomação do governador Beto Richa, em conversa rapidamente, cobrei dele um olhar para o nosso município.
Eu vejo que o aeroporto vai sair, mas uma coisa tem que ficar claro para a comunidade local. A nossa pista de pouso reúne condições técnicas de receber pousos das aeronaves regionais da Passaredo, Azul, das existentes. Eu creio nos meus interlocutores, mas vamos supor que, numa tragédia, não venha o recurso que o município precisa para implantar o aeroporto. É um desafio meu, como prefeito, sim ou sim, as estruturas do aeroporto vão acontecer, ou com dinheiro federal, com uma força conjunta municipal, setor privado, nós vamos ter aeroporto em Toledo. Isso está muito claro para mim. Esta ferramenta de desenvolvimento, que é o modal aéreo, é imprescindível para o efetivo desenvolvimento da região. Nenhum executivo se propõe a pegar um 277, pousando em Foz, e vir a Toledo. Isso não existe, por questão de custos e também de segurança. Nós temos que ter um aeroporto em Toledo e nós vamos ter, ou com dinheiro federal ou esforço concentrado do município com a iniciativa privada.
Gazeta: A UFPR, com o curso de Medicina, com a aprovação do campus para Toledo, pode ser considerada uma realidade para Toledo?
Lunitti: Eu falava com o reitor nesta semana e disse a ele que ele tem demandas estratosféricas na universidade: “O sr. imagine a ansiedade que a comunidade tem em receber a instituição que o sr. representa, mas multiplique por muitas vezes a ansiedade do prefeito.” Quando você traça um objetivo, você consegue segurar a informação por um determinado tempo, quando você faz interlocuções com vários, é inevitável os comentários um com outro e isso se avoluma numa ansiedade coletiva e que isso desemboca em uma cobrança para o gestor municipal. Eu estou acreditando nas pessoas que faço interlocução.
O curso de Medicina, com o seu rito normal de avanços e retornos vai acontecer. A UFPR já se manifestou favorável e na conversa que tivemos com o ministro Paim (da Educação) ele garantiu que não tem qualquer empecilho para a abertura do curso de Medicina em Toledo. Acredito no meu interlocutor e certamente em breve o curso será anunciado pelas autoridades nacionais e eu, como prefeito, quero compartilhar esta informação, no momento que for aprovado. Teremos a responsabilidade de aportar o que foi discutido e fazer com que as coisas aconteçam, mesmo que para isso seja necessário fazer cortes em outras áreas, que a população precisará entender.
Se eu conseguir implementar as reformas no aeroporto, a UFPR em Toledo e mais as ações de saúde, que é o meu compromisso, eu vou para casa com a certeza do dever cumprido.
Gazeta: Em relação ao próximo ano, temos a entrada do governo federal e estadual e os ajustes de contas, agora mesmo o Paraná lançou este pacote fiscal e tributário. Como o senhor vê o cenário para os próximos seis meses e nos próximos anos e os reflexos para Toledo?
Lunitti: Eu tenho 50 anos, sou um jovem ainda. Desde que era piá, filho de bodegueiro, no Jardim Porto Alegre, meu pai, aqueles que iam fazer os seus negócios com ele, a vida inteira falaram de crise. É bem verdade que de 2005 até 2013 vivemos período magnífico na economia brasileira. Hoje já não estamos neste porte, mas teremos uma bela economia, democracia fortalecida. São momentos que se passa, mas eu creio que dentro de um cenário que quer se pintar catastrófico, não olho desta forma. Eu olho pelo aspecto do positivismo, do otimismo e creio, dará para fazer muita coisa. É bem verdade que precisa estar atento, temos uma gestão conservadora, através do Frizzo (Neuroci Frizzo, secretário da Fazenda), que tem levado a questão fiscal, orçamentária, econômica do município com mão de ferro e por isso nossa saúde financeira. Eu vejo que dá para fazer boas coisas. Nós temos alguns investimentos necessários na infraestrutura urbana, a revitalização da Avenida Maripá, para proporcionar mais segurança, trafegabilidade, um ambiente mais agradável para a região da BR 467 até o Centro da Juventude. Também o PAC – Pró-Transporte III, que está tudo liberado, o que deve acontecer no princípio do próximo ano. Neste financiamento temos várias vias contempladas, como a Raimundo Leonardi, que é uma ligação alternativa ao Jardim Porto Alegre, até o Toledão caixa larga, boa, e isso vai ser realidade até a Nossa Senhora de Fátima, na reurbanização desta via. No Jardim Coopagro teremos a construção de uma avenida, estamos terminando a Carlos Sbaraini, a Capitão Leônidas Marques, são quase dois quilômetros, com asfalto e iluminação.
Gazeta: No caso está adequando a necessidade que já apresenta e preparando para mais alguns anos. O senhor acredita neste cenário de Toledo com 200 mil habitantes no curto, médio ou longo prazos?
Lunitti: Eu acho que no médio prazo nós teremos esta população. A preocupação que eu tenho, um desafio que estamos vivendo, que os futuros prefeitos terão que olhar, é conseguir equilibrar o crescimento com desenvolvimento. O desafio é manter esta qualidade de vida que temos hoje.
Gazeta: Uma coisa básica no crescimento populacional é a habitação. E neste contexto estão sendo anunciados alguns investimentos nesta área. Como está o cenário?
Lunitti: Temos 4 conjuntos habitacionais constituídos. 208 apartamentos no São Francisco...
Gazeta: O primeiro em apartamentos?
Lunitti: É, nós fizemos esta opção com dados da Agenda Prefeito com a Comunidade. As demandas por casas são muito grandes. Nós temos umas dez mil famílias que querem a sua casa através do Minha Casa, Minha Vida. Eu converso com as pessoas e a aceitação dos apartamentos é de 95%. Nós vamos ter a construção de apartamentos e também 104 casas construídas no Por do Sol, o de 208 apartamentos, no São Francisco, que presta uma homenagem ao meu pai, Guerino Pagnussatt, tem o Silfredo Muller, em Vila Nova, que é com 30 unidades, e mais 69 em Novo Sarandi, o conjunto Jaime Hunhoff. Nós enfrentamos o problema, como qualquer um que quer comprar um imóvel, o preço. Se a habitação tem preço máximo de R$ 60 mil por mutuário, incluindo terreno, pavimentação, sinalização, iluminação, tudo tem que entrar neste valor.
Gazeta: Dentro das limitações de recursos que a administração pública tem, quais serão as prioridades para 2015?
Lunitti: Estas revitalizações que citei, os investimentos que temos que fazer pela Agência Francesa, na área ambiental, o fortalecimento e cumprimento dos contratos nas rodovias rurais, as habitações, os grandes desafios da UFPR e o aeroporto, as demandas da saúde, o Hospital Municipal - que ainda estou aguardando agenda com o secretário e governador para tratar deste assunto, através da articulação dos presidentes da Amop e do Ciscopar -, a conclusão do HR, destas avenidas no entorno e um investimento em termos de infraestrutura urbana, que é a iluminação pública. Estamos implantando um modelo de iluminação em led na esquina da Santos Dumont para ver o comportamento e deu uma qualificação.
Gazeta: E a UPA?
Lunitti: Ah, sim, a Upa virou uma novela. Eu, como prefeito, estou chateado com tudo o que se desdobrou, janeiro abre e não há mais possibilidade de ficarmos com a UPA fechada. Em janeiro, no final do mês, abre. Até levei um convite ao ministro Chioro (da Saúde) para agendar uma data em janeiro.
Gazeta: O senhor, como ex-vereador e prefeito, como analisa esta situação que resultou no afastamento dos vereadores Eudes Dallagnol e Giancarlo de Conto?
Lunitti: É um fato lamentável, que tem acontecido. Infelizmente a visão que historicamente se tinha da Câmara Municipal era que Toledo era uma Câmara sem este tipo de problema, muito bem conduzida. O governo sempre teve clareza do seu candidato a presidente, que era o Ademar. Outras candidaturas, aliás todos têm competência de ser presidente do Legislativo. Infelizmente aconteceu, está sendo investigado e espero que isso desdobre em uma solução que a sociedade deseja sob o aspecto que tem que ser apurado. Não sei se na história de Toledo teve um prefeito que tratou o Legislativo com total independência. Alguns julgam que nossa base é frágil em alguns momentos, não acompanha o que o governo deseja, mas se nós quisermos fortalecer a democracia, precisa dar estas liberdades. Eu, reiteradas vezes, tenho dito a todos os vereadores que defendem a nossa gestão que não votem contra qualquer pedido de informação. Não teve nenhum prefeito que tomou esta decisão, faço questão em registrar em todos os quadrimestres que vou ao Legislativo. A transparência na gestão pública tem que acontecer. A independência do Legislativo com os seus atos, seus debates, compete efetivamente aos vereadores tratarem.
Gazeta: Não terá reflexos na administração?
Lunitti: Foi noticiado este fato, não conheço o que efetivamente investigado, que tem registro de gravações e falas, não conheço isso, fico sentido com o que aconteceu, mas de nossa parte o Poder Executivo é um poder e o Legislativo outro, assim como o Judiciário. Sempre defendi a independência deles. É próprio do Executivo, neste mundo afora, de que o Executivo dê apontamentos para votação de seus projetos. É uma maneira democrática de dizer, nós precisamos a aprovação deste projeto por tais e tais situações. Sempre respeitei e vou continuar respeitando o Legislativo.
Gazeta: O deputado Elton sai e entra o ex-prefeito José Carlos Schiavinato. O Sr. vê pela frente alguma dificuldade ou mesmo com o governo do estado, que é oposição?
Lunitti: Há um protagonismo neste governo diferente e às vezes não compreendido pelos companheiros, mas que está sendo observado pela sociedade. Como prefeito tenho uma característica que desmonta tudo aquilo que foi dito em relação à minha pessoa, que era brigão, turrão, foram falácias que agora tenho produzido bons relacionamentos, inclusive de respeito à história daqueles que passaram por aqui. Eu acho que tenho falado, sendo cansativo, mas importante registrar também para os leitores da Gazeta. Cada prefeito, ao seu tempo e ao seu olhar, faz o seu governo, conectado com os interesses da comunidade, parte dela ou os seus e isso precisa ser respeitado. Nós estamos no nosso tempo governando. Eu, desde que conheço o deputado eleito Schiavinato até o momento, nunca tivemos qualquer tipo de atrito, absolutamente nenhum. Naquilo que ele estiver disposto a nos ajudar, que já manifestou interesse, e naquilo que nós entendermos necessária a presença dele, vamos construir uma relação positiva com o governo do estado.
Temos várias questões estruturais, como o contorno do autódromo ao trevo de Ouro Verde do Oeste, nós precisamos duplicar o trevo de Ouro Verde até a BR 467, nós temos que constituir novo modelo na Cirne Lima a Vila Nova, passando por Novo Sobradinho, para dar mais segurança de trafegabilidade, e na Toledo-Dez de Maio precisamos trabalhar com aporte de recursos ou dizer ao estado que queremos a estadualização desta rodovia. Isso são temas estruturais internos. Outra questão é as relações com a saúde no estado, do Hospital Municipal, foi garantido recurso por agente do estado, ele pode e deve nos ajudar neste sentido.
Gazeta: Toledo contatava com dois deputados estaduais, agora apenas um, isso aumenta a responsabilidade do representante?
Lunitti: Claro, não tenha dúvida e me parece que o interesse do deputado eleito é trabalhar na perspectiva de ajudar o município de Toledo. O primeiro governo do Beto Richa, nestes dois anos como prefeito, nós não tivemos o apoio que Toledo merece. Veio para cá uma UBS, um trocadinho isso não chegou a R$ 1 milhão. Olha o que Toledo dá ao estado, só em doações de terrenos para estruturação nos próximos anos passam de R$ 5,6 milhões. Está um descompasso e cobrei isso do governador ao cumprimentá-lo na sua diplomação e esperei o momento certo, cumprimentei-o e falei no ouvido dele: “Meu irmão, estou aqui para pedir o apoio ao município de Toledo. Você precisa nos ajudar” e me apresentei à vice-governadora como prefeito. Quero concluir este mandato de uma forma transparente, produtiva, estruturante e claro, no presente, mas com uma visão de preparar Toledo para o futuro. É isso que desejo.
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