Entrevistas para a História

Ildo Bombardelli: Uma vida dedicada à educação

| 14/12/2014 - 00:01

Ildo Bombardelli: Uma vida dedicada à educação

O professor, ex-diretor do Premen, secretário de Educação na primeira gestão do ex-prefeito José Carlos Schiavinato, e atual assistente técnico do Núcleo Regional de Educação, Ildo Bombardelli, é o entrevistado da edição de hoje. A entrevista foi feita em meados de 2009, mas ainda continua atual. Nela Ildo conta um pouco da sua trajetória como professor e também analisa aspectos da educação e os seus reflexos com as mudanças na sociedade e novas tecnologias.
P: Professor Ildo, como foi sua vinda aqui para Toledo e oriundo de que cidade?
R: Eu sou gaúcho, sou de Três de Maio, e vim para cá em julho de 1978, e já no dia 01/08/78 comecei a trabalhar, pois vim com emprego fixo, na Funet, que na época se chamava Colégio Luther King , e também no Colégio La Salle. Posteriormente ingressei no Estado para substituir uma professora em licença maternidade. Quando vim para cá, haviam poucos professores formados, e eu era professor de Biologia e a gente era visto de uma forma diferente, pois era de fora, formado.
P: Suas primeiras atividades foram em sala de aula; teria ainda pique para encarar novamente uma turma de alunos?
R: Hoje, depois de 33 anos de início de trabalho, eu gostaria de estar novamente em sala de aula, pois quando eu sair da atividade que estou exercendo no momento, vou voltar para a sala de aula, porque tenho saudades daquele tempo, dos alunos, da juventude. É interessante dizer que do trabalho que a gente desenvolveu na época, surtiu efeitos, e hoje encontro médicos, advogados, profissionais liberais que foram meus alunos e hoje estão bem colocados na sociedade. É interessante ver aquilo que você semeou e hoje colher bons frutos. A vida é uma sucessão, você vai trabalhando, onde se planta, mas se colhe à distância ao longo prazo, vêm os resultados.
P: O que mudou dos alunos da sua época para os alunos de sala de aula hoje?
R: Nós temos algumas diferenças. Uma delas e gente nota claramente. Há 30 anos, tinha mais família, a família era mais unida, os filhos tinham mais respeito pelos pais, não existia aquela maldade que hoje tem, não existia tanto problema de drogas e hoje tem e a gente vê uma verdadeira rebeldia do jovem. O que se nota também é aquela questão da afetividade da família. A meu ver, devemos voltar a trabalhar a família, para que tenhamos novamente bons alunos, porque senão será cada vez mais difícil o trabalho do professor em sala de aula. Se o aluno tem respeito para com sua família, terá também para com os professores e colegas de aula. Há uma dificuldade hoje em sala de aula para os professores.
P: Recentemente a escritora gaúcha Lya Luft escreveu artigo em revista que os alunos de hoje em sala de aula falam ao celular, ouvem música, conversam o tempo inteiro, não respeitam mais os professores. O que mudou, os pais, os professores ou os alunos?
R: Eu acho que é uma questão de momento, a tecnologia está aí e a grande questão é como aplicar a tecnologia em sala de aula. Isso atrapalha e muito numa sala de aula. Cada escola tem que ter suas regras, deixar, por exemplo, utilizar aparelhos eletrônicos somente no horário de intervalo. O que acontece: o jovem tem que saber que existem limites e os limites e regras estão aí para serem cumpridos, só que é muito difícil controlar essa volúpia do jovem, onde um imita o outro, um compra um aparelho, pois no dia seguinte vem com um mais potente e assim por diante. E este tem sido um grande problema, principalmente no ensino médio, onde o jovem está na fase de mandar mensagem, trocar músicas, conversar. Na minha opinião, foram os alunos que mudaram.
P: Quando o senhor esteve à frente do Colégio PREMEN, promoveu uma verdadeira revolução na forma de administrar bens públicos. Como conseguiu isto?
R: A questão do bem público é de o que é público é nosso. E se é nosso, nós vamos cuidar. É uma questão que a gente sempre batalhou, porque a maioria das pessoas fala que isso é problema do governo. Nós pagamos impostos e por isso temos que tomar esse cuidado. Se a gente não cuidar da nossa casa, os de fora é que não cuidarão. A gente tem que fazer esse trabalho bem feito e nós tivemos a felicidade de termos uma comunidade muito boa, essa comunidade sempre trabalhando junto com a direção da escola, sabiam a que vinham e nós tivemos um incentivo muito grande. Se nós queremos a melhor escola para nossos filhos, então vamos arregaçar as mangas e trabalhar, não adianta esperarmos que os governantes mandem dinheiro para as escolas, a comunidade é que tem que ajudar a exigir e ajudar para também suprir as necessidades da escola. Mudamos muitas coisas. A primeira coisa que fizemos foi estipular ordem. Para trabalhar, estudar, é preciso ter ordem e disciplina e isso a escola conseguiu continuando no mesmo ritmo até hoje. A partir do momento que os pais estão conscientes que devem estar no dia a dia dos colégios, tudo fica mais fácil.
P: O senhor foi reconhecido pelo belo trabalho a frente do PREMEN, nacionalmente. Como se deu isso?
R: Em 2002, nós fomos escolhidos como o segundo melhor colégio do Paraná e fomos representar o Estado, em Brasília, na oportunidade em que deveríamos levar algo que representasse o município. Levamos um adereço de nó de pinho, com um coquinho afixado na localização de Toledo no mapa do Estado e também uma referência ao porco no rolete e isso foi o maior sucesso, tanto é que enviamos mais duas caixas, via ônibus para Brasília, posteriormente, pois os pedidos foram muitos. Foi uma satisfação muito grande para nós e eu gostaria que esses eventos acontecessem mais vezes e em todos os municípios para sentirem se estão fazendo a coisa certa.
P: Ter sido convidado a ser secretário da Educação foi uma forma de recompensa pelo trabalho realizado até então?
R: Não sei, não sei se foi dessa maneira, mas a gente sempre opta pelo melhor. O prefeito Schiavinato me convidou para participar do governo dele, e no início relutei um pouco, mas acabei aceitando porque era uma coisa diferente e como era para ajudar, para fazer um bom trabalho, aceitei. E é uma satisfação muito grande, a gente tem trabalhado bastante, feito muito pela questão da Educação do município, encontrei um quadro de professores extremamente preparados, o município está de parabéns pela evolução toda, estamos fazendo um trabalho expressivo graças ao trabalho em equipe, já tivemos em administrações anteriores uma boa base, e com o trabalho conjunto alcançamos resultados ótimos junto ao IDEB. Se a educação vai bem, é graças aos professores. Se a educação vai mal, também é graças aos professores, porque quem está na sala de aula não é o governador, não é o prefeito, não são os vereadores, é o professor. Com orgulho, digo que Toledo tem feito um ótimo trabalho.
P: Em sua opinião, como está a realidade de ensino no Brasil?
R: Toledo é diferente da realidade nacional. Basta assistir noticiários para comprovarmos isso. Uma das coisas que tem que mudar neste Brasil é um maior investimento em Educação. Vendo uma entrevista com Dilma Rousseff, pincei uma frase dela que reflete aquilo que penso: Devemos investir mais em educação, porque senão nós não vamos mudar. Se quisermos ter melhor tecnologia, temos que ter pessoas capacitadas. Se quisermos ter melhor saúde, temos que ter pessoas capacitadas. E com a educação vão mudar as empresas, vai mudar a pobreza, vai mudar a violência. Esta questão é fundamental. Se o Brasil investisse 5% do seu PIB em Educação, nós faríamos uma revolução fantástica, pagaríamos melhor os professores, investiríamos na reforma e construção de mais salas de aula, treinaríamos melhor nossos professores e isso se tornaria uma bola de neve, tendo ganhos para todas as pessoas e para o país. É uma necessidade preeminente investir em Educação no Brasil.
P: Em recente estudo, ficamos atrás do Paraguai em termos de crescimento educacional. O que tem sido feito para melhorar isto?
R: O MEC parece ter chego à raiz do problema, numa decisão acertada. Identificou que existem milhares de professores que não tem terceiro grau, e o MEC está investindo pesado na melhor formação dos professores para que tenhamos melhores alunos. Nós temos tudo para revertermos esse quadro.
P: Alguma pretensão política futura em face de sua excelente credibilidade junto à população?
R: A questão política é uma questão a se pensar. Todo ser humano é um ser político e a gente está aí trabalhando, prestando um serviço à comunidade e pretensões, bem, pretensões todo mundo tem. Todo ser humano tem uma pretensão, e é a ambição que move o ser humano. Se você conquista uma meta, logo em seguida vem outra e assim por diante. Resumindo, tenho pretensões sim.
    1 COMENTÁRIO
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  • Vania de Oliveira Barros
    Tio Ildo. Que saudades. Esse cara é o máximo, foi professor da minha mãe, da minha irmã e meu tbem. Lembro-me de ter sido o primeiro professor a entrar na sala e falar do consumo do tabaco. Estávamos no primeiro ano do Segundo grau no La Salle e naquela época já tínhamos alguns amigos experimentando o cigarro. Um colega perguntou: Ildo, verdade que quanto mais Perto do filtro mais forte fica o cigarro? E ele respondeu " não menino. A única coisa que acontece é que fica mais perto de vc queimar seu nariz " kkkkk Lembro-me como se fosse hoje pois não tínhamos naquela época professores corajosos para falar sobre assuntos polêmicos. Acho que por isso o Ildo sempre foi amado pelos alunos. Por ser exigente e simples ao mesmo tempo, por falar a nossa língua Parabéns professor, quem dera meus filhos tivessem professores inspiradores como vc foi pra mim.
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