Entrevistas para a História

Pitágoras da Silva Barros: De líder estudantil e vereador e servo de Deus

| 12/12/2014 - 00:01

Pitágoras da Silva Barros: De líder estudantil e vereador e servo de Deus

Pitágoras da Silva Barros teve muitas atividades profissionais em sua trajetória, dentre elas a de bancário, assessor parlamentar, vereador, professor e atualmente dedica sua vida à atividade religiosa, atividade que muito o enobrece. Em entrevista concedida em meados de 2009 ele conta um pouco de sua trajetória.
P: Poderia falar um pouco da sua vida?
R: Nasci em Maceió (Alagoas), no dia 09 de fevereiro de 1947. Um felizardo por ter nascido numa dos mais belos litorais do Brasil, vivido nos “anos dourados” e pertencido a uma das mais excêntricas, numerosa e maravilhosa família de nordestinos sensíveis, amorosos e corajosos deste país. Papai foi sargento da PM alagoana que caçou o bando de Lampião. Veja que rica história...
P: Quando se deu sua vinda a Toledo?
R: Chegamos aqui no dia 22 de março de 1963, num dia de chuva e com a caminhonete atolando a duas quadras de casa (na subida da Maripá, em frente onde hoje é a Assembleia de Deus). Papai veio transferido como coletor federal para Cascavel, mas escolheu Toledo para criar a família, porque aqui havia paz, bom nível educacional (La Salle e Incomar) e um povo trabalhador. Ele ficava, de início, a semana em Cascavel e o sábado e domingo aqui. Assim que pôde se transferiu para cá. Foi amor à primeira vista com Toledo e seu povo.
P: Qual foi a importância de seu pai, Oscar Silva, em sua vida?
R: Agora que acredito em Deus e sua criação, também creio em anjos. Tive vários deles em minha vida. Os primeiros foram papai Oscar e mamãe Gilda. Eles construíram e moldaram a minha e as personalidades dos meus irmãos. Vivemos debaixo de suas autoridades e colhemos os frutos de seus exemplos de vida digna, responsável, respeitadora e honesta. Todos que os conheceram sabem disso. Papai reunia a família em torno da mesa, todos os dias, e passava os ensinamentos filosóficos, éticos, morais e cristãos (apesar de ser comunista, papai tinha imensa admiração, respeito e temor por Jesus Cristo e pelo apóstolo Paulo) para nós. Aprendemos por simbiose.
P: Qual foi a importância de Oscar Silva para a história de Toledo?
R: Ele foi o primeiro coletor federal (Oldemar Bueno, que foi o primeiro funcionário federal, era escrivão), contribuiu com a educação no Colégio La Salle, com a cultura de forma geral, e com Edílio Ferreira e Wilson Carlos Kuhn, transformou este município na “capital da cultura” paranaense. Foi também muito influente na política como fundador do MDB, vereador, diretor da Câmara, etc. Contribuiu com a constituição da Coopagro, tendo sido funcionário dela e muitas outras coisas. Além de escrever a história do município, foi o principal divulgador da cidade em todos os rincões do país. Sua obra lhe rendeu a homenagem de nominar o Centro Cultural de Toledo. Sua passagem por aqui – onde fez questão de ser enterrado – jamais será apagada.
P: Qual a diferença maior entre Toledo que conheceu quando chegou e a de hoje?
R: O Toledo de ontem era um amontoado de casas que abrigavam pessoas idealistas e sonhadoras. Para se ir daqui a Cascavel às vezes demorava-se um dia. Bastava chover e ficávamos isolados. Muitas pessoas se destacaram no trabalho de construir o progresso daqui, e sempre que posso gosto de avivar a memória do povo para as personalidades de meu papai, do Oldemar Bueno, do Edílio, do Felipe Muraro, do Ivo Pedrini (o maior político que esta cidade possui), do Nelton Friedrich, do Wilson Kuhn, do Willibaldo Feiten, do Antônio Mazurek, do Gelson Leonardi (uma das maiores lideranças daqui), do Sabino Campos, do Luiz Alberto de Araújo, do Willy Barth, do padre Raulino, da irmã Amélia, do Egon Pudell, do dr. Ernesto Dall´Oglio, do Avelino Campagnolo, do dr. Ivo Rocha, do Duílio Genari, do irmão Geraldo, do Irineu Agnes, do João Knopp, da Terezinha DalCastel, do Jaime Zenni, do Osvaldo Ricci, do Pedro Ari Pinto de Andrade, do Waldemiro Giacomazzo, do Valdir Zorzo, do Haroldo Hamilton entre tantos outros que foram artífices da história de conquistas de Toledo. Toledo é hoje uma metrópole que nem um pouco lembra as dificuldades do passado, graças a homens da estirpe dos citados acima e de mais uma dúzia de outros que olvidei de propósito para que o leitor possa elencar de livre escolha, mas não são muitos mais...
Aliás, eu sugiro que eles sejam lembrados neste espaço, enquanto alguns ainda vivem. São eles que fazem o registro da história toledana.
P: Como foi sua passagem pelo Banco do Brasil?
R: Entrei no BB bem no início de sua instalação aqui. Em meados dos anos 60, como contínuo, junto com o Serginho Kloeckner, na administração do Mantovani e do Cícero. Fiquei lá durante um ano e meio e sai para ser subgerente da Cibrazem (o Ramiro Carlos Rebouças era o gerente ou “fiel”). Depois voltei ao banco como escriturário, mas acumulava com o ofício de professor. Vivi boa época no banco, mas sempre saía e voltava. Fiz isso por quatro vezes até descobrir que não nasci para ser bancário. No BB fiz muitos amigos e acompanhei boa parte da evolução dele, inclusive de toda a história da AABB, tanto como membro diretivo como apenas como associado. Foi muito bom enquanto durou.
P: Como foi sua passagem como chefe do Núcleo de Educação de Toledo?
R: A pedido do governador José Richa, o BB me cedeu para assumir aquele importante cargo. Naturalmente, por ter sido apontado pela liderança política. Foi uma revolução na educação não somente daqui, como de toda a região e de todo o Paraná, a partir da elaboração da “Carta de Toledo”, inspirada por nós e com o apoio dos inspetores municipais e do Edílio Ferreira. A história da educação paranaense foi dividida em duas fases – conforme afirma a ex-secretária Gilda Poli – a partir daquele evento. Mas nada teria sido conquistado se não fosse a excelente equipe que montei, onde se destacava o professor Willibaldo Feiten, e o apoio dos deputados Nelton e Sabino.
P: Um fato interessante ocorreu quando chefe de núcleo: a nomeação de Arnoldo Bohnen como diretor de colégio, mesmo ele sendo da oposição. Como foi a reação dos seus correligionários?
R: Foi de estupefato, pois Arnoldo representava a oposição política que sempre combatemos. Não se compreendia a minha atitude, mas fi-los entender que não podemos combater homens, somente as ideias. O Arnoldo sempre foi um patrimônio moral de Toledo e eu não poderia deixar de prestigiá-lo no momento em que ele mais precisava do carinho, do apoio moral e da sensibilidade humana.
P: Além de bancário, professor, assessor parlamentar, quais outras atividades desenvolveu?
R: Tenho muito orgulho em ter sido um quadro estudantil de respeito. De ter elaborado o primeiro jornal estudantil da cidade e região, de ter sido vereador; de ter sido um dos construtores da ATED e da ASSERMUTO; de ter trabalhado por muitos anos como editor de jornal (Jornal do Oeste, Jornal Hoje, Gazeta do Paraná, etc); de ter sido Ouvidor Geral da Câmara de Cascavel; de ter sido secretário de Comunicação de Terra Roxa, mas a que mais me enobrece é a atual: servo de Deus. Quero continuar neste mister até o último dia da minha vida.
P: Você vem de uma família onde todos os seus irmãos têm nome de filósofos famosos. Foi influência forte de seu pai, que sempre foi uma pessoa muito culta?
R: Claro que sim. Com essa iniciativa ele visou criar responsabilidade em cada um de nós. E acho que em parte conseguiu. Foi uma jogada inteligente, como todas as demais dele. Se meu nome fosse Pedro Bó, certamente não iria além de a um palmo do nariz.
P: Depois de muitos anos labutando nas mais variadas atividades, decidiu seguir a vida religiosa. Como ocorreu isso?
R: Isso é muito fácil de explicar: Jesus chama e você atende! Acredito na “eleição”. Quando Deus ordena você ou vai com suas próprias pernas ou vai na boca do peixe. O negócio é tão simples e claro que só não vemos porque teimamos em ser cegos e burros. Estou extremamente feliz por ter a sorte de receber a revelação, e só posso desejar que todos a recebam. O chamado vem ocorrendo ao longo da nossa existência, até que nos damos conta dele.
P: Recentemente o sr. foi acometido de uma enfermidade grave. Aconteceu um milagre em sua vida. Poderia nos relatar algo sobre isso?
R: Não uma, mas várias enfermidades e vários milagres. Primeiro foi o coração que pifou, exigindo revascularização com três safenas e uma “mamária”; depois foram pólipos que exigiram a extirpação da vesícula, e assim sucessivamente. Finalmente, um câncer no rim direito exigiu sua retirada e de uma costela. Sou diabético, hipertenso e tenho atrofia prostática. Na verdade, não sou uma experiência médica bem sucedida, mas o fruto da misericórdia de Deus.
P: Qual a mensagem que poderia deixar para aquelas pessoas que hoje passam por dificuldades e não veem um alento em suas vidas?
R: Dobrem os joelhos, nessa posição conversem com Jesus. Uma conversa direta, franca e honesta com Ele. A isso se chama ORAR. Ele é pai amoroso, está ao seu lado, odeia o pecado, mas ama o pecador. Arrependa-se de seus erros com toda a sinceridade. Creia na salvação, peça-Lhe as bênçãos, exalte o nome de Deus... e verá sua vida mudar. Eu fiz isso e encontrei a verdadeira felicidade e razão de viver! Deus está pronto para ajudar vocês
R: Tenho muito orgulho em ter sido um quadro estudantil de respeito. De ter elaborado o primeiro jornal estudantil da cidade e região, de ter sido vereador; de ter sido um dos construtores da ATED e da ASSERMUTO; de ter trabalhado por muitos anos como editor de jornal (Jornal do Oeste, Jornal Hoje, Gazeta do Paraná, etc); de ter sido Ouvidor Geral da Câmara de Cascavel; de ter sido secretário de Comunicação de Terra Roxa, mas a que mais me enobrece é a atual: servo de Deus. Quero continuar neste mister até o último dia da minha vida.
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