Entrevistas para a História

Vítor Beal

| 11/12/2014 - 00:01

Vítor Beal

Quando cheguei a Toledo, em 1952, Toledo era um vilarejo de pouco mais de 1000 casas, todas feitas de madeira e cobertas com tabuinhas de pinho, falquejadas à mão. Toledo tinha nessa época em torno de 3.300 habitantes.
Vítor Beal é cidadão honorário do município de Toledo, empresário, agricultor, designer gráfico, desportista e agora também escritor historiador. A entrevista foi concedida em novembro de 2009, após o lançamento do seu primeiro livro, “Tempo e Heróis”, que narra a saga dos pioneiros de Toledo.
P - A Família Beal é pioneira em Toledo, quando e como se deu a chegada da sua família?
Eu cheguei a Toledo no ano de 1952, com apenas nove anos de idade, obviamente, na companhia de meus pais, que a convite de Willy Barth vieram construir e administrar o Duque Hotel, aliás, um empreendimento que acabou virando referência no Oeste do Paraná, no ramo hoteleiro. Viemos de Joaçaba, Santa Catarina, e a viagem levou exatamente três dias, já que naquela época não existia um metro de asfalto sequer.
P – Como era Toledo na época?
Com certeza, muito diferente desta grande metrópole que hoje aí está! Era um vilarejo de pouco mais de umas 1000 casas, todas feitas de madeira – geralmente de peroba - , e os telhados eram de tabuinhas de pinho (que eram falquejadas à mão. Toledo tinha nessa época em torno de 3.300 habitantes. Exatamente no ano que eu cheguei em Toledo (1952), aconteceu a eleição do primeiro prefeito de Toledo (Ernesto Dall’Oglio). Num universo de 1.032, apenas 827 eleitores compareceram às urnas.
P – Você imaginava que um dia Toledo pudesse ser essa grande cidade?
A gente sempre teve esperanças que Toledo viesse a ser uma grande cidade, porém, não se tinha noção, nem a dimensão de todo esse progresso e desenvolvimento atual. Lembro-me, que meus pais vieram para cá justamente para almejar dias melhores para a família; o Novo El Dorado, como se dizia, era a oportunidade de realizar sonhos e concretizações. Hoje falo com minha mãe Emília Maria (92 anos), e ela diz: “É meu filho… eu fico olhando todos esses edifícios… que maravilha! Quem diria que Toledo seria essa cidade tão majestosa”.
P –Você foi um grande desportista, aliás, continua sendo, como foi o início do futebol de Toledo?
No limiar dos anos 50, duas grandes equipes proporcionavam grandes confrontos futebolísticos: Guarani Futebol Clube e Esporte Clube Internacional; perto dos anos 60 surgiu o Esporte Clube Toledo (nesse time, eu fui Campeão da Cidade e Campeão Regional em 1960), Esporte Clube Brasil e Grêmio Esportivo Toledense, protagonizaram destacada rivalidades em campos de futebol; um pouco mais de tempo, Sanremo Sport Club, Grêmio Atlético La Salle tiveram seus momentos de glórias.
P – Em 1979, o senhor foi diretor do Toledo Futebol Clube (Toledão), quando foi montada uma grande equipe para a disputa da Divisão de Elite do Campeonato Paranaense de Futebol. Como aconteceu isso?
Toledo, até então, tinha tentado de todas as formas disputar a primeira divisão do Futebol Profissional do Paraná, sem nunca ter tido êxito. Porém, no ano de 1979, pela desistência do Clube Pinheiros (de Curitiba), o Toledo Futebol Clube (Toledão) aceitou participar da disputa na qualidade de convidado.
Como o tempo era extremamente curto, contratamos a toque de caixa o técnico (Lori Paulo Sandri) e quase toda a equipe do próprio Pinheiros. Nessa época Toledo vivia uma temporada de puro êxtase; pela própria novidade e também porque a nossa equipe permaneceu na liderança das primeiras 11 rodadas do campeonato.
P – No esporte em geral, algum registro a mais que julga importante?
Eu sempre tive um orgulho muito grande, em ter participado como diretor de Finanças e Técnico de Futsal da primeira delegação toledana que participou dos Jogos Abertos do Paraná. Se não me falha a memória foi na cidade de Paranavaí. Assim como eu disse anteriormente, também me sinto acentuadamente satisfeito por ter participado – como cartola – do primeiro clube toledano a disputar um Campeonato Paranaense da Divisão Especial.
P – Em 2007, em reconhecimento ao seu trabalho em prol das causas sociais e esportivas na comunidade, recebestes o Título e Cidadão Honorário de Toledo. O que isso significou em sua vida?
Quando a gente recebe – em vida – algo tão gratificante, também fica em nós uma sensação de prazer por ter realizado de forma condigna a nossa missão aqui na terra. Assim, agora, tendo em mão esse significativo Diploma, e mesmo não tendo nascido em Toledo, mais do que nunca eu me sito um autêntico toledano, de alma e de coração. Sou suspeito de certo modo, em assim falar, mas sou completamente apaixonado por esta cidade que eu escolhi para viver, progredir e amar. Durante a minha trajetória de vida, recebi inúmeros convites financeiros para sair de Toledo, porém, foi aqui, neste rincão maravilhoso de meu Deus, que escolhi fincar minhas raízes e terminar os meus dias, sempre na busca de uma vida saudável em todos os sentidos e tendo sempre o prazer de ver e admirar o progresso da nossa querida Toledo. Já que eu sempre tive uma relação de fidelidade absoluta com esta terra, assim como foi em Toledo que eu sempre acreditei e apostei todas as minhas fichas. E por tudo isto, eu jamais me arrependi!
P – Sobre o livro Tempo de Heróis, com surgiu a ideia?
Inicialmente, eu comecei a esboçar um pequeno compêndio da história da minha família, no entanto, com o decorrer do tempo eu achei necessário entrevistar alguns pioneiros para que eu pudesse ilustrar mais a história de vida dos meus pais, aqui em Toledo. Quando percebi, eu já tinha entrevistado – entre pioneiros, e ou seus filhos e parentes – perto de 40 pessoas. Foi quando também constatei que eu já não tinha mais anotações de um simples livro familiar, e sim um livro na verdadeira expressão da palavra. Assim, acrescentei algumas histórias minhas, lapidei , diagramei o que achei mais interessante e me enchi de coragem para lançar um livro sobre a história dos heróis pioneiros de Toledo, logicamente, onde incluo os meus pais Olivo Beal e Emília Maria Leduc Beal. E assim surgiu o livro com 522 páginas, “Tempo e Heróis.
P – Algum projeto futuro na área literária?
Agora que fiquei um pouco mais “corajoso” na parte literária, tenho sim alguns projetos!
Atualmente estou escrevendo quatro livros simultaneamente – todos sobre a história de Toledo e Oeste do Paraná – que pretendo ao decorrer de dois a quatro anos, programar os seus lançamentos, apesar de estarem todos no meio do caminho, eles já tem até títulos: ”Um Coração Valente”, “Vitoriosos – O Poder do Voto”, Conquistas e “Filhos da Coragem”. – Em tempo: as palavras heróis, valente, vitoriosos, conquistas e coragem, foi uma forma que encontrei para homenagear os nossos destemidos pioneiros.
P – O senhor foi o primeiro desenhista de Toledo na área publicitária. Dentre as logomarcas que criou, quais marcaram sua vida seja pela dificuldade na elaboração ou pela instituição que representava?
Eu criei perto de 800 logomarcas (numa época que todos os trabalhos eram desenhados de próprio punho), e em cada uma delas eu dei o meu melhor, porém, algumas realmente marcaram mais, principalmente pelos trabalhos não remunerados. Por exemplo, o logotipo e o material promocional do 1º Seminário de Aquicultura do Mercosul; logos e material publicitário do 2º Campeonato Brasileiro Especial de Futsal das APAEs e 12º Olimpíada Nacional das APAEs; o Galinho, ícone do FESTIN; o Porquinho, símbolo da Festa Nacional do Porco Assado no Rolete; e o próprio Peixinho, escudo do Clube Caça e Pesca de Toledo; distintivo do Toledo Futebol Clube; e, também me orgulho muito de ter criado (por intermédio de um Concurso Público, no qual eu fui o vencedor) a Bandeira e o Brasão do Município de Toledo, que posteriormente foi maquiado por uma empresa especializada em heráldica, de Porto Alegre.
Hoje, para a minha satisfação, Victor Beal Filho (leia-se V. Beal Publicidade), já formado, agora com mais tecnologia, com singular maestria continua desenvolvendo criativos trabalhos na área publicitária.
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Entrevistas para a História'

Com experiência de Executivo, Schiavinato assume Legislativo nesta quinta-feira

Ildo Bombardelli: Uma vida dedicada à educação

Ailor Dalla Costa

Pitágoras da Silva Barros: De líder estudantil e vereador e servo de Deus

Vítor Beal

Duílio Genari: De motorista de caminhão a deputado estadual. Uma vida inteira na política

Orlando dos Santos: Fiel escudeiro da empresa Maripá

Lamartine Braga Cortes: O vice-prefeito e dentista do Oeste

Niulton Pegoraro: Paixão pelo esporte

Egon Pudell: Um fã de JK, desbravando o Oeste

Mais Destaques
"Poder-É a capacidade de arbitrariamente, agir e mandar, exercer a autoridade, a soberania, o império dos grupos que se formam visando o poder, o monopólio. Quanto maior a dependência de A em relação a B, maior o poder de B em relação A. Desconhecido"
(Desconhecido)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)