Entrevistas para a História

Duílio Genari: De motorista de caminhão a deputado estadual. Uma vida inteira na política

| 10/12/2014 - 00:01

Duílio Genari: De motorista de caminhão a deputado estadual. Uma vida inteira na política

Nascido em 10/05/1937 e na política desde 1972, Duílio Genari foi vereador, prefeito municipal e deputado estadual por sete mandatos consecutivos. Em 2014 encerra a carreira na Assembleia Legislativa, abrindo espaço para o ex-prefeito José Carlos Schiavinato, a quem abriu mão de sua candidatura. Em entrevista realizada em 2009, Duílio fala de sua trajetória e de conquistas na política.
P: O senhor Iniciou na política em 1972. Como se deu essa transição de comerciante para político e quem o incentivou para tal?
R: Eu entrei na política na eleição de 1972 quando recebi um convite, um chamamento do Wilson Carlos Kuhn, do Lamartine e do Egon Pudell, e naquela época também já tive algumas sugestões do próprio Arnoldo Bohnen. É claro que foi uma surpresa, até me assustei quando vieram me convidar para ser candidato a vereador, fato que até então nunca havia me passado pela cabeça essa possibilidade. Até então sempre gostei de participar de campanhas políticas, mas como colaborador, entregando panfletos, propagandas para o Egon, para o Wilson, candidato a prefeito. Tive também naquela época um aconselhamento do médico Ivo Rocha e claro que eu, diante de todos esses apoios importantes, aceitei a missão.
P: Qual foi a reação da sua família?
R: Eu conversei com meus familiares, com minha esposa Azélia, com minha mãe, principalmente e ela falou: - Se foram eles que te convidaram, acho que você deve aceitar, porque (pausa pela emoção do deputado ao lembrar-se da mãe), porque a minha mãe era muito amiga de todas essas pessoas e daí saí candidato. Naquela época eu só tinha um fusquinha, comecei a fazer minha campanha depois do expediente, visitando conhecidos, em todas as localidades e senti que seria bem votado pela recepção que tive pela minha candidatura a vereador. Pus na cabeça que conseguiria e realmente aconteceu.
P: Como foi sua primeira vitória na política?
R: Na minha primeira eleição fui muito bem. Fui escolhido vereador onde fiz 11% dos votos válidos, num universo de 18.000 votos eu fiz 1.902, e em termos de porcentagem fui o mais votado da história de Toledo, sendo logo empossado e depois nomeado presidente da Câmara de Vereadores.
P: A candidatura a prefeito foi algo natural e já delineado em suas perspectivas. Como se deu esse fato?
R: A candidatura a prefeito, junto com o Arnoldo de vice ,foi uma decisão não só minha, mas de meus amigos e dos integrantes do meu partido. É claro que foi uma campanha bastante disputada, pois tinha seis candidatos concorrendo; o Oreste Perotto, pela Arena 2, o Avelino Campagnolo, pela Arena 3, e eu, pela Arena 1. Pelo lado do MDB tinha os candidatos Nelton Miguel Friedrich pelo MDB 1, o Alcido Leonardi, pelo MDB 2, e o Oscar Silva, pelo MDB 3. No dia da eleição, por pequena margem de votos, fomos vencedores.
P: Como foi sua administração como prefeito municipal de Toledo?
R: Eu acredito que tenha sido muito boa, dando sequência naquele trabalho desenvolvido pelo dr. Wilson, pelo Egon Pudell e outros anteriores. Eu e o Arnoldo assumimos, acho que poderíamos ter feito mais, mas foram feitas as coisas dentro das condições que o município nos deu. Estão aí algumas marcas de nossa administração até hoje e que aconteceram na época. Construímos o Estádio Municipal, dois ginásios de esportes, o Centro Social Urbano, concluímos a construção do Premen e construímos 109 salas de aula naqueles anos de mandato e construímos também dezenas de pontes; lembro que naquela época houve um período de chuva prolongada onde foram levadas embora ou danificadas 64 pontes e pontilhões, isso em 1978. Em 1979 foram construídas mais 79 pontes. Ainda hoje, por onde ando, vejo pontes e obras que foram construídas em nossa administração.
Graças ao trabalho realizado em conjunto com o Arnoldo, com os vereadores, tive a felicidade de ser escolhido presidente da AMOP, naquela época. Acredito que tudo isso fez com que eu tivesse sucesso na política, fosse reconhecido, já estou no sexto mandato como deputado estadual e convicto de que, se Deus quiser, estarei indo para o sétimo mandato.
P: Quando o senhor foi eleito deputado estadual, no dia da sua posse, deve ter passado um filme em sua cabeça?
R: É claro que foi um dia emocionante. (Pausa com nova emoção do deputado) De motorista de caminhão a deputado estadual, estava lá, lado a lado de pessoas que só tinha visto pela televisão ou ouvido pelo rádio. Naquela época em que eu assumi, tinha lá deputados com 6, 7 mandatos, onde eu me preocupei, antes mesmo de assumir, de conversar com as pessoas que sabiam e que tinham envolvimento muito grande dentro da Assembleia, entre elas o Aníbal Khouri, que foi um professor para mim e para outros deputados que por lá passaram. Ele era uma pessoa que nos aconselhava. Claro que se tornou bastante difícil os primeiros momentos porque lá encontrei pessoas de todos os níveis e eu como já tinha sido vereador, prefeito, mas havia saído de motorista de caminhão a deputado, foi difícil, e hoje, já faz quatorze anos que sou presidente de uma comissão que analisa as contas do governo, do próprio Tribunal de Contas, da Assembleia e também dos deputados, fazendo parte, além disso, de diversas comissões, entre as quais a de Justiça e Meio Ambiente.
P: Como o senhor consegue administrar o fato de que com todos os governadores acaba existindo um livre acesso e uma parceria?
R: Eu acho que o que me ajudou muito foram os próprios governadores, porque, por exemplo, o Alvaro Dias, quando eu assumi na Assembleia, dois dias depois ele me chamou, embora não o tivesse apoiado. Depois veio o governador Roberto Requião, ainda na primeira semana, através do deputado Aníbal Khouri, me estendeu o tapete afirmando que precisava muito de mim. E eu falei que sim, que estava com ele. Também nunca pedi nada em troca, acontecendo também com o Lerner e agora novamente com o Requião. O que sei é que todos os governadores que passaram me deram liberdade e confiança, mas sempre tomei certa cautela, pois tinha certeza que não tinha tanto direito de ser atendido do que aqueles que encamparam suas campanhas. O compromisso que assumi com eles foi trabalhar em conjunto em benefício do Paraná, e com isso possibilitou obter recursos para minha cidade e região.
P: Nesse período todo na política o senhor trouxe muitos recursos para Toledo e região. Qual a sensação do cidadão Duílio Genari sendo útil a esta sociedade?
R: Eu acho que me sinto realizado, me sinto bem e além de tudo não fiz mais do que a minha obrigação em ser útil para aquelas pessoas que sempre acreditaram em mim, procurando fazer sempre com ética e respeito o meu trabalho e com lealdade para com meus companheiros. Acredito que se o político tiver ética e os demais predicativos ditos acima já é um ótimo indicador de sucesso. O que eu faço é com muito amor, gosto do que faço e sempre falo por aí, que o político que quer ter sucesso sem trabalhar muito, não chegará a lugar nenhum. Não pode nunca se escorar. Eu nunca me senti cansado nestes 37 anos de política, e não vou desistir e desanimar tão cedo. Muitos políticos, quando se elegem, a primeira coisa que fazem é mudar de número do telefone. Os meus números continuam sendo os mesmos desde a época de vereador e divulgado nas listas telefônicas, não me esquivando jamais de um contato de algum munícipe que precise de mim, estão ligados dia e noite, à disposição. Outros preferem se esconder, estes estão condenados a ter vida curta na política.
P: Um dia o senhor vai parar na política. Consegues enxergar alguém para substituí-lo?
R: Isso vai acontecer naturalmente. A pessoa que se sobressair com certeza, se ela quiser, eu vou auxiliá-la, vou passar a ela todos os meus conhecimentos, têm jovens despontando na administração pública, mas a hora de parar não vou ser eu que vou dizer e sim a população que sempre me elegeu.
P: O senhor teria alguma mensagem a deixar para a população de Toledo neste início de 2010?
R: Eu gostaria de pedir muita cautela a todos e dedicação dos jovens, principalmente quanto ao estudo. Na época que eu iniciei como prefeito e o Arnoldo de vice, foi uma luta nós conseguirmos recursos e por em funcionamento a Unioeste. Hoje temos cinco universidades, e todo o jovem está tendo a oportunidade de se aperfeiçoar e de se preparar cada vez melhor.
P: Para encerrar, algum adversário político ou inimigo declarado?
R: Na política sempre existem divergências e no meu tempo não foi diferente. Não eram brigas, eram divergências entre partidos e pessoas. E eu tive duas pessoas que não conseguia me relacionar de maneira facilitada na política. Era o Albino Corazza Neto e o Wilmo Marcondes, com quem tive muitas dificuldades em conversar e se entender. Hoje nós somos amigos e me sinto feliz porque não tenho nenhum inimigo em Toledo, posso sentar e conversar com todos. Todas as dúvidas e ranços foram deixados de lado.
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