Entrevistas para a História

Orlando dos Santos: Fiel escudeiro da empresa Maripá

| 09/12/2014 - 00:01

Orlando dos Santos: Fiel escudeiro da empresa Maripá

Em março de 2013 entrevistei Orlando dos Santos, onde fui recebido em seu confortável apartamento na Avenida Maripá, a pedido do médico Avelino Campagnolo, para elaboração do seu livro. Falar de Orlando dos Santos é não ter muita comparação com outras personalidades da história de Toledo. Cada qual com a sua importância. Ele era um fiel escudeiro da empresa Maripá, tinha toda a confiança da administração e realmente vestia a camisa, na expressão da palavra. Muito discreto, falava pouco, mas quando se expressava, o fazia com inteligência. Ouvia mais do que falava.
Um nome limpo, um cidadão de uma conduta ilibada, impecável, de família. Na sociedade e dentro da empresa era uma das fortalezas de fidelidade, era homem de confiança do Willy Barth. E foi desta forma que o encontrei, sereno, tranquilo e fala mansa para responder as minhas indagações.
P: Quando o senhor veio residir em Toledo e como isso ocorreu?
R: Eu vim em 1951 de Chapecó/SC de carona no caminhão do Willy Cesário, já falecido, que trazia mudanças da região sul para Toledo. Eu tinha uma bicicleta, a joguei em cima de caminhão, mais algumas trouxas de roupa e vim em busca de novos ares aqui em Toledo. Cheguei na parte da tarde e no mesmo dia arrumei serviço, eram seis e meia da tarde e eu já estava empregado pela família Mânica, que tinha também como sócio o Profino Dall’Óglio. Fui cuidar do negócio deles em Buê-Caé, parte de escritório, especialmente nos trabalhos com máquina de escrever, porque naqueles tempos quem sabia escrever com a máquina era uma pessoa diferenciada.
P: O ofício da datilografia o ajudou na sua chegada a Toledo?
R: Eu tinha conhecimento de datilografia porque eu trabalhava num posto de gasolina em Chapecó da família Brandini, que também tinha oficina mecânica, e quando não tinha ninguém usando a máquina eu ia lá aprender meio que precariamente, mas aprendi a datilografar e trabalhar no escritório. Os negócios da família Brandini não estavam indo muito bem, pois na época deu aquela crise da falta de gasolina, então resolvi me aventurar aqui no Paraná, pois já tinha alguns conhecidos que me incentivaram a me mudar para Toledo. A viagem durou cerca de três dias. Realmente ter o conhecimento da datilografia naquela época era um diferencial.
P: Depois deste emprego o senhor se aventurou no Porto Britânia?
R: Com o Profino Dall’Óglio aprendi o ofício da Contabilidade e junto com o Pedro Paulo Mânica o resto que me faltava. Pedro Paulo era pai dos doutores Valdir e Vilmar Mânica, hoje conceituados cidadãos na cidade.Depois passei a trabalhar na empresa Maripá, como contador, mais precisamente em Porto Britânia, por cerca de dois anos embarcando madeira para a Argentina. Na sequência cuidei de mais três serrarias que eles possuíam na região. Cuidava dos pagamentos, do registro dos empregados e todas as demais providências necessárias. Eu tinha uma certa facilidade em desenrolar documentos, escrituras, estradas, enfim, era eu quem a empresa tinha para fazer isso e que resolvia de verdade as questões. Toda a burocracia era por minha conta.
P: O senhor já tinha constituído família naquela época?
R: Nesse tempo minha família era pequena e como foi crescendo resolvi voltar para Toledo, trabalhei no escritório da Maripá também como contador, onde vim a me aposentar anos mais tarde.
P: Depois aconteceu a sua entrada na política, como se deu esse fato?
R: Em 1964 fui eleito vereador e por cinco anos desempenhei meu cargo. Trabalhei de forma a fazer as coisas da maneira certa, era oposição ao Avelino Campagnolo, mas quando tinha alguma coisa boa para o município jamais me neguei a apoiá-lo, como por exemplo, na questão da declaração de utilidade pública de área do atual Parque Ecológico Diva Paim Barth, onde eu votei favorável ao projeto 12/68. O Avelino Campagnolo, apesar de não ter dinheiro para fazer as coisas, foi um bom prefeito para o município, embora aí também tivesse alguns embates, porque o doutor era muito centralizador e não deixava acesso para as pessoas examinarem suas prestações de contas, apesar de que jamais alguém pode falar que ele não tivesse sido honesto, pelo contrário, tenho certeza de que por muitas vezes tirou dinheiro do bolso para realizar alguma coisa necessária.
P: A qual partido o senhor pertencia?
R: Eu pertencia ao PTB - Partido Trabalhista Brasileiro, do Getúlio Vargas. Era amigo de todas as horas do Ernesto Dall’Oglio que foi prefeito, deputado estadual e deputado federal. Éramos muito amigos e creio que fizemos um bom trabalho político juntos.
P: Como o senhor agia na Câmara de Vereadores com a questão da Maripá, empresa que o apoiou?
R: Eu formei um lastro de amigos que me rendeu mandato de cinco anos do cargo de vereador com boa votação. Já como vereador, procurei ser sempre muito coerente. Continuei sendo muito fiel à empresa e suas decisões, evidente, era funcionário e era companheiro na empresa, tinha que mais é que representá-la na Câmara de Vereadores.
P: Avelino Campagnolo foi um bom prefeito?
R: Uma das suas grandes dificuldades que eu lembro pelas quais ele passou foi a abertura da estrada de São Pedro em direção à sede, pois a Maripá só colocava máquinas no perímetro da Fazenda Britânia, que se encerrava na Serraria Três. Então o Avelino teve que vir do sentido de Vera Cruz do Oeste para cá para conseguir interligar o município com a BR-277, com imensas dificuldades geográficas que foram suplantadas com muito trabalho. Lembro que a Maripá, por diversas vezes, o auxiliou nos momentos de dificuldades, mas um fato é inegável, na questão das estradas ele foi um verdadeiro desbravador, não restam dúvidas.
P: Ainda sobre a questão de vereador, o senhor votava pelas suas próprias convicções e não pela opinião do seu partido?
R: O meu partido não fechava com o partido do prefeito e não tinha jeito. Mas quando tinha uma lei que eu percebia que era favorável ao município, eu sempre votava a favor, não importava a posição do prefeito nem a posição do meu partido. Essa é uma virtude rara para quem quer ocupar um cargo político, pois no mundo atual o que vemos são muitos radicalismos e votos sendo feitos em interesses de blocos, principalmente econômicos.
P: Toledo mudou muito desde que o senhor aqui chegou?
R: E como mudou. Antes não tínhamos nenhuma estrutura que pudesse nos proporcionar um pouco mais de conforto, hoje temos uma cidade pujante, onde tivemos ótimos administradores, temos uma excelente condição de vida e uma estrutura universitária que atrai estudantes de várias partes do país, além de duas grandes indústrias, a Sadia e a Prati Donaduzzi, que geram milhares de empregos.
P: O senhor sempre teve uma preocupação com a ecologia e o meio ambiente, pode nos contar algo sobre isso?
R: Nós somos sim responsáveis pela condição do meio ambiente em que vivemos. Eu já tinha naquela época uma preocupação com o meio ambiente, sempre distribuía para as pessoas mudas de árvores, vindas de Guarapuava. Já era tradição. Sempre que passava por lá, comprava diversas mudas de árvores e as distribuía aos amigos interessados.
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