Entrevistas para a História

Egon Pudell: Um fã de JK, desbravando o Oeste

| 05/12/2014 - 00:01

Egon Pudell: Um fã de JK, desbravando o Oeste

Egon Pudell, ex-prefeito de Toledo por duas vezes e deputado estadual também em dois mandatos, foi um dos primeiros administradores do nosso município e partícipe da instalação da Sadia em Toledo. Pudell lutava para manter sua memória em dia, mas com muito esforço e cortesia, concedeu entrevista alguns dias antes do seu falecimento. Faleceu em 29 de setembro de 2013, aos 84 anos de idade.
P: Como foi sua vinda a Toledo?
R: A primeira vez que pisei na região foi no dia 07 de setembro de 1949, convidado por um dos acionistas da Colonizadora Maripá, Kurth Bercht. E foi um fato interessante, porque foi que nem visita de cachorro magro. Cheguei e fui embora no mesmo dia. Nada a ver com o medo de estar numa terra desconhecida, mas sim pelo temporal que estava se armando e naquela época, com a chuva, significava ficar quinze dias sem poder sair da cidade, por causa das péssimas condições das estradas.
P: Depois disso resolveu voltar?
R: Resolvi voltar porque gostei muito do que vi. Minha vinda definitiva ocorreu em dezembro de 1951, quando vim morar aqui e assumi a gerência do Empório, a partir de 1952.
P: O senhor veio de onde?
R: Eu vim de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul.
P: Como era a Toledo da época?
R: Naquela época Toledo tinha em torno de 69 a 70 casas, todas de madeira. Lembro que o distrito de Marechal Cândido Rondon estava apenas começando. Cascavel, que era menor que aqui, tinha na rua principal cerca de treze casas. Também lembro que Dez de Maio era um dos distritos mais movimentados e desenvolvidos da época. Mas percebi que aqui havia condições de futuro, que aqui poderia constituir minha família e por aqui fiquei e não me arrependi.
P: O senhor trabalhou certo tempo no Empório e depois abraçou a política. Como se deu essa mudança?
R: Isso foi em 1955. Eu tinha uma amizade muito grande com o Willy Barth, que acredito eu, deve ter visto alguma qualidade em mim, afinal de contas, eu construíra o primeiro prédio de alvenaria, acho que isso pesou um pouco. Ele tinha uma visão extraordinária. E também fazia parte do mesmo partido do que o meu e o do Moisés Lupion, o PSB, então fui indicado para concorrer a prefeito e acabei ganhando as eleições. O Willy era como um segundo pai para mim. Eu sempre acatava seus conselhos e sempre nos demos muito bem e sempre fomos bons amigos. Acabei com este apoio importante, como já havia dito, ganho as eleições e assumi em 14 de dezembro de 1956, administrando até dezembro de 1960.
P: Willy Barth foi a grande figura de Toledo?
R: Certamente. O Willy foi a pessoa mais importante da história de Toledo, um desbravador, não tinha medo de nada, um grande amigo, com uma visão extraordinária de futuro, enfim, um herói local. E ele se destacou também em nível regional, ele, o Egon Bercht, que foi candidato a deputado federal mais tarde, são figuras que merecem nossa reverência.
P: Quais foram as suas principais características como prefeito de Toledo?
R: Acredito que tenha sido um prefeito muito ousado, até pela minha pouca idade. Procurei durante o meu primeiro mandato investir pesado em saúde e educação, tendo construído várias salas de aula. Um dos fatos marcantes da minha administração foi a criação da Diocese de Toledo com o apoio do Willy Barth e dos colaboradores da Maripá e da administração municipal. Também nessa época aconteceu a vinda da Sadia...
P: Este é um assunto para falarmos mais sobre ele...
R: Realmente, é um assunto importante para o município e eu posso afirmar que fui eu quem trouxe a Sadia para Toledo. É uma história meio longa, mas vou tentar explicar. Preciso voltar ao ano de 1957, mais precisamente em março, quando o então prefeito de Cascavel, Otacílio Mion, deu uma entrevista à Gazeta do Povo afirmando que a Sadia iria se instalar lá em Cascavel. A notícia causou um alvoroço e naqueles dias eu participava do Congresso Brasileiro dos Municípios, no Rio de Janeiro, que era a sede do Governo Federal, e lá, num dos intervalos, eu como prefeito de Toledo, novo, curioso, decidi ir ao Congresso Nacional, que ficava na Praça da Cinelândia para conhecer e tentar conversar com o então deputado federal Atílio Fontana. Lá, durante discursos inflamados de Carlos Lacerda contra JK, pude explicar ao deputado a importância de Toledo dentro da suinocultura e com isso acabei sendo convidado para um jantar com ele. Com isso me tornei amigo dele, aliás, fomos amigos dali em diante, e esse fato fez com que a Sadia adiasse sua instalação no Oeste. Neste meio tempo a população cobrava a instalação de um frigorífico para atender aos produtores de suínos, que já era uma atividade praticada em larga escala até que o Reinoldo Baldiche e eu instalamos o Frigorífico Pioneiro. Depois de um período em que eu tive alguns problemas com meu sócio, fui forçado a vender minha parte e acabei vendendo para o meu amigo Atílio Fontana. Enfim, a Sadia estava se instalando em Toledo. Tenho que ressaltar o apoio da comunidade e do Ernesto Dall’Oglio para a concretização do negócio.
P: Um fato importante ocorreu nesse Congresso dos Municípios. O senhor foi aplaudido pelos demais prefeitos. Pode nos contar isso?
R: Realmente fui aplaudido pelos demais prefeitos que lá estavam presentes porque, com eu disse na pergunta anterior, num dos intervalos eu assisti uma sessão do Congresso e lá vi uma discussão que dava a prerrogativa a deputados e senadores de importarem veículos sem pagar as taxas alfandegárias, fato que acabou sendo vetado mais tarde pelo JK, mas naquele dia eu vi o senador Atílio Fontana bradar do alto da tribuna que aquilo era uma vergonha, que era uma imoralidade. Então, quando voltei para o Congresso dos Municípios, pedi a palavra e fiz uma proposição: que todas as prefeituras tivessem o direito de importar um trator e uma moto niveladora sem pagar os direitos alfandegários. Eu expus as minhas razões, expliquei o que havia presenciado na reunião anterior e com isso fui aplaudido por todos os demais prefeitos, que depois queriam me conhecer, entre eles, o então prefeito de Curitiba, Ney Braga.
P: Do seu segundo mandato como prefeito, guarda quais fatos importantes?
R: Durante o segundo mandato como prefeito, que foi no período de 31 de janeiro de 1969 a 30 de janeiro de 1973, uma coisa que marcou minha administração, que considero de razoável para boa, foi a criação do Plano Diretor de Toledo, já prevendo a implantação do lago municipal e galerias pluviais e esgoto em toda a cidade. Também defendi a entrada da Copel em Toledo, que com a entrada da sua energia gerada acabou impulsionando o crescimento da cidade e da própria Sadia, que decidiu ampliar sua produção.
P: Na Assembleia Legislativa, como presidente da casa, o senhor teve um ato que marcou sua vida política:
R: Teve sim. Em 1964, eu vetei o aumento de dezessete cadeiras de deputado, que era competência do Presidente da Assembleia. Achei que aquilo era uma imoralidade.
P: Uma grande alegria em sua vida:
R: Em primeiro lugar a minha família, meus filhos, e na política ter conhecido e se tornado amigo do Juscelino Kubitschek, então presidente do Brasil.
P: Como era JK?
R: Uma pessoa à frente do seu tempo. Um grande estadista, um ótimo administrador, um visionário, do qual tenho muito orgulho em ter me tornado amigo, de poder conviver com seus familiares, dona Sara, filhos, frequentei sua casa e com essa amizade pude trazer alguns benefícios para nossa cidade.
P: Alguma decepção na política?
R: Se eu fizer um balanço da minha vida política, da minha participação posso afirmar sem medo de errar que foi muito mais para o lado da satisfação do que da decepção. Conquistei muitos amigos na política e isso é o que de mais importante fica.
P: O senhor que muito contribuiu para o crescimento do nosso município, como vê a atual administração?
R: Eu vejo o (José Carlos) Schiavinato fazer uma ótima administração, com muitas obras, tem trabalhado muito, tem sido um ótimo prefeito, e o município cada vez mais se consolida no cenário nacional como um dos municípios mais progressistas.
P: O que o senhor pode falar sobre a atual situação do aeroporto municipal.
R: Eu tenho acompanhado as últimas discussões na rádio, nos jornais e também concordo que a capacidade do nosso aeroporto é muito maior do que está sendo utilizado no momento, tem uma característica própria e é pena que não se pensou antes nisso, pois é uma fonte geradora de novos negócios e nós precisamos ter um bom aeroporto e funcionando em Toledo.
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